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  • Restaurantes em BH: como Leo Paixão e uma nova geração de chefs movimentam a gastronomia da cidade

    Restaurantes em BH: como Leo Paixão e uma nova geração de chefs movimentam a gastronomia da cidade

    Belo Horizonte nunca precisou provar sua relevância gastronômica. A cidade sempre teve uma relação muito própria com comida, hospitalidade e mesa cheia. Mas esta recente viagem me fez perceber outra coisa: BH está mais sofisticada, mais diversa e mais segura da própria identidade. O convite veio de Leo Paixão, chef que ajudou a projetar a gastronomia mineira contemporânea para além do estado e hoje está à frente de um grupo de restaurantes que movimenta diferentes regiões da cidade. E talvez seja justamente aí que Belo Horizonte mais surpreenda atualmente: na capacidade de unir tradição, técnica, informalidade e repertório cultural sem perder personalidade.

    Mais do que uma cena “da moda”, existe maturidade. E existe também algo que continua muito particular em Minas Gerais: a hospitalidade.É engraçado como em Belo Horizonte as conversas parecem começar naturalmente. Do motorista de aplicativo ao garçom, passando pelos próprios chefs, existe um orgulho muito genuíno da cidade — e uma vontade real de fazer você gostar dali também. Tarefa fácil, aliás.

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    Leo Paixão e os restaurantes que ajudaram a transformar Belo Horizonte

    À frente do Grupo Glouton, Leo Paixão construiu um dos projetos gastronômicos mais relevantes de Minas Gerais. Médico formado pela UFMG, ele trocou a carreira pela cozinha, estudou na tradicional escola Ferrandi, em Paris, e passou por restaurantes de chefs como Joël Robuchon e Pierre Gagnaire antes de voltar ao Brasil. Foi em 2013 que abriu o Glouton, no bairro de Lourdes — restaurante que rapidamente se tornou uma das principais mesas da cidade e projetou o chef nacionalmente. Hoje, o grupo inclui também Ninita, Nicolau Bar da Esquina, Mina Jazz Bar e Macaréu. Cada casa tem linguagem própria, mas todas compartilham algo raro: identidade clara.

    Glouton: técnica francesa, referências mineiras e mudança constante

    O Glouton segue como a grande assinatura de Leo Paixão. A cozinha cruza técnica francesa clássica com ingredientes e referências mineiras sem cair em caricaturas regionais. Durante nossa conversa, perguntei a Leo como ele enxerga a evolução do restaurante nesses quase 14 anos. “Não sou eu que revisito a comida mineira. A comida mineira está lá e a gente só referencia ela, reverencia. A única coisa constante no Glouton é a eterna mudança”, me disse. A frase explica bastante sobre o restaurante em Belo Horizonte.

    O menu muda. O serviço muda. O formato muda. Mas a essência permanece. Hoje, a casa opera apenas em formato à la carte, decisão tomada, segundo o chef, para atender melhor ao perfil do público atual. Entre os pratos, aparecem combinações que unem conforto e sofisticação sem excesso de intervenção. Tudo muito técnico, mas sem perder fluidez.

    O ambiente também ajuda: elegante sem formalidade rígida, com clima de casa contemporânea que funciona tanto para um jantar longo quanto para uma ocasião especial.

    Ninita: um italiano mineiro ao lado do Glouton – restaurante em BH

    Literalmente ao lado do Glouton está o Ninita, restaurante criado em homenagem à bisavó italiana de Leo Paixão. E talvez seja justamente o mais afetivo dos projetos do grupo. A cozinha mistura referências italianas e mineiras com leveza e bom humor. Risonis, massas frescas e receitas italianas aparecem ao lado de ingredientes como quiabo, porco e jabuticaba sem soar forçado. O ambiente é dos mais agradáveis da cidade. Mais solar, mais descontraído e extremamente convidativo. É o tipo de restaurante que funciona tanto para almoço demorado quanto para jantar animado entre amigos.

    Nicolau Bar da Esquina: brunch disputado e atmosfera cosmopolita

    No Belvedere — bairro residencial e sofisticado da zona sul de Belo Horizonte — fica o Nicolau Bar da Esquina. E talvez tenha sido um dos lugares que mais me surpreenderam na viagem. O clima é cosmopolita, vibrante e muito bem resolvido. Em alguns momentos, honestamente, me senti em Nova York em pleno brunch de domingo. Um dos mais disputados da cidade, aliás, reúne desde pratos clássicos até receitas com referências mineiras.

    O cardápio cruza referências mineiras, latino-americanas e contemporâneas em uma proposta muito mais interessante do que simplesmente replicar fórmulas nova-iorquinas. Entre ceviches peruanos, parrilla uruguaia e argentina, provoletas, mollejas, ovos, pães artesanais e coquetelaria diurna, existe um equilíbrio muito natural entre conforto e sofisticação.

    O pão de queijo recheado foi um dos pratos que mais gostei: grande, dourado e servido aberto, recheado com pastrami e picles de cebola, em uma combinação intensa e muito bem equilibrada entre gordura, acidez e textura. Um prato confortável, indulgente e muito mineiro, mas apresentado de forma contemporânea. Também provei o Bloody Mary da casa, intenso e equilibrado, servido praticamente como uma pequena refeição líquida, cheio de frescor e personalidade — perfeito para acompanhar o ritmo mais longo e descontraído do brunch.

    A música ao vivo ajuda bastante na experiência. Presente, mas sem competir com as conversas. A coquetelaria também merece atenção. Não à toa, o Nicolau foi eleito Melhor Bar do Brasil pela revista Prazeres da Mesa.

    Macaréu e Mina Jazz Bar: duas propostas diferentes dentro do mesmo grupo

    Ao lado do Nicolau fica o Macaréu, projeto mais recente de Leo Paixão, onde dei uma passada para comer a sobremesa. A proposta aqui gira em torno de peixes e frutos do mar na brasa, em uma cozinha contemporânea com execução precisa e ambiente sofisticado. Mesmo dentro de um shopping, o restaurante consegue escapar da atmosfera impessoal típica desses espaços. Há cuidado estético, serviço atento e um menu muito bem estruturado.

    O Léo me ofereceu um clássico da casa: o Pudim Abade de Priscos. A versão do restaurante ganha um caramelo profundo e levemente amargo, equilibrado pelos crocantes de laranja que trazem textura e frescor cítrico ao prato. A apresentação minimalista reforça a elegância silenciosa da sobremesa — bonita sem esforço, sofisticada sem exagero. Daqueles doces que pedem calma, colherada sem pressa e inevitavelmente terminam em silêncio satisfeito.

    Já no centro da cidade, o Mina Jazz Bar segue outra direção. Instalado em um prédio antigo, mistura música ao vivo, ambiente retrô, iluminação baixa e coquetelaria muito bem executada. Um lugar pensado menos para pressa e mais para permanência.

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    Okinaki: comida de rua asiática contemporânea em Belo Horizonte

    Se Leo Paixão representa uma geração que consolidou Belo Horizonte como destino gastronômico, o casal Gabriella Guimarães e Guilherme Furtado mostra para onde a cidade também está caminhando. Os dois passaram sete anos vivendo e trabalhando na Espanha, incluindo experiências em restaurantes importantes da gastronomia espanhola contemporânea, como Enigma, 41º Grados, Bodega 1900 e Moments. Guilherme trabalhou diretamente ao lado dos irmãos Adrià, referências absolutas da cozinha espanhola moderna. Mas foi a cozinha asiática que acabou moldando grande parte da identidade dos chefs.

    A cozinha passeia por diferentes culturas asiáticas com segurança técnica e muita personalidade. Tem ssäm de atum, kinilaw filipino — aquele ceviche ácido, fresco e cheio de camadas que você não sabia que precisava provar —, além da berinjela com missô, um dos pratos que mais me marcou pela profundidade de umami e pelo equilíbrio quase silencioso de sabores que só uma cozinha muito bem treinada consegue alcançar. A gyoza também merece destaque: massa fina, perfeitamente selada, recheio suculento e execução precisa, sem excessos.

    Mas talvez um dos aspectos mais impressionantes da casa esteja na carta de saquês, provavelmente uma das mais sofisticadas da cidade. Os rótulos são importados diretamente do Japão e incluem versões orgânicas, não pasteurizadas e de fermentação espontânea — entre elas um Junmai produzido pelo método champenoise, um saquê orgânico premiado de Fukushima e um dos rótulos mais vendidos do Japão.

    Aqui, definitivamente, não existe espaço para “saquê com sal”. A bebida é tratada com o mesmo cuidado dedicado ao vinho em grandes restaurantes: protagonista tanto na taça quanto na harmonização da experiência. E isso aparece até nos detalhes mais inesperados.

    Um dos drinks mais interessantes da casa é o chamado “drink sólido”: um saketini de melão em que a fruta é impregnada em saquê com raspas de limão e pimenta, servida em cubos sobre a própria casca apoiada em pedras de gelo. Um daqueles pratos — ou melhor, drinks — que ajudam a explicar de onde vem a sofisticação do Okinaki.

    Tudo parece despretensioso à primeira vista. Mas existe muito estudo, repertório e precisão por trás dessa aparente informalidade. O tipo de lugar que faz você perceber que comida de rua, quando bem traduzida, pode facilmente se aproximar da alta gastronomia — e que Belo Horizonte vai muito além dos clichês gastronômicos mais óbvios.

    Parallel: a memória afetiva da Espanha traduzida em restaurante

    Na mesma esquina está o Parallel, dedicado à cozinha espanhola. Mas não aquela versão caricata que vive de paella e sangria. A proposta respeita sabores clássicos e técnicas tradicionais, reinterpretadas de forma contemporânea — reflexo direto da vivência dos chefs na Espanha. O restaurante parece menos interessado em impressionar e mais em construir profundidade.

    Começamos pelo gazpacho transparente, um dos pratos mais interessantes da noite. A receita parte da versão tradicional espanhola, feita com tomate, pepino, pimentão, alho e azeite, mas passa por um processo de clarificação que transforma tudo em um líquido cristalino e extremamente concentrado em sabor. O resultado é delicado, fresco e surpreendente: visualmente leve, mas cheio das camadas do tomate maduro, da acidez e do azeite.

    Também chegaram à mesa as famosas azeitonas esferificadas inspiradas no El Bulli. Aqui, porém, elas aparecem menos como demonstração de cozinha molecular e mais como um aceno respeitoso à trajetória gastronômica que moldou os chefs. A película fina se rompe na boca liberando um líquido intenso e salino — um gesto técnico sutil, mas cheio de memória.

    E talvez seja justamente aí que o Parallel funcione tão bem: a técnica nunca ocupa o centro da experiência. Ela aparece nos detalhes — no tomate maduro do pan con tomate, na delicadeza do tartare, na textura precisa do polvo e até na seleção dos embutidos espanhóis, servidos na temperatura correta para revelar aroma e untuosidade.

    Há também uma sensualidade muito própria da cozinha espanhola: azeite generoso, pratos para compartilhar, vinho servido sem pressa e aquela atmosfera em que o jantar naturalmente se alonga. O tipo de lugar em que a experiência parece pensada menos para impressionar e mais para fazer as pessoas permanecerem.

    A refeição seguiu entre anchoas espanholas intensas e delicadas, uma tortilla cremosa no centro — exatamente como nas boas versões de Madri e Barcelona — além de um arroz extremamente cremoso e cheio de sabor do mar, daqueles pratos que silenciam a mesa por alguns segundos.

    Entre os destaques, o polvo grelhado servido sobre batatas douradas e molho profundo tinha textura impecável: macio sem perder estrutura. Também provei um tartare fresco e muito equilibrado, finalizado com ervas e azeitonas. Para acompanhar, o vinho espanhol Benplantat trouxe frescor e mineralidade na medida certa para os frutos do mar e as tapas da casa.

    O Parallel tem essa capacidade rara de soar sofisticado sem precisar afirmar isso o tempo inteiro. Tudo parece fluido, natural e muito bem resolvido — da técnica às escolhas mais simples da mesa.

    Bar Vértice: liberdade criativa e drinks autorais

    Já o Bar Vértice é o lado mais livre e experimental da dupla. A casa aposta em coquetelaria autoral, combinações inusitadas e uma cozinha enxuta voltada ao compartilhamento. Você pode escolher em comer lá mesmo ou dar uma passadinha pós jantar.

    O menu muda com frequência e o clima é deliberadamente mais informal. Mesas na calçada, ambiente vivo e uma atmosfera muito ligada ao jeito belo-horizontino de ocupar a rua. Os drinks transitam entre referências asiáticas, mediterrâneas e latino-americanas sem excesso de firula. Tudo parece leve, mas pensado.

    Dona Lucinha: a cozinha mineira que continua definindo Belo Horizonte

    Mas em uma viagem gastronômica por Belo Horizonte, algum restaurante tradicional precisava entrar no roteiro. E foi exatamente aí que surgiu o Dona Lucinha.

    Símbolo da cozinha mineira clássica, o restaurante preserva receitas familiares, sabores afetivos e uma relação muito direta com a memória gastronômica do estado. Tudo aparece de forma generosa, sem excesso de releitura ou necessidade de modernização. Depois de dias circulando entre cozinhas contemporâneas, referências internacionais, brunches disputados e coquetelaria autoral, terminar no Dona Lucinha fez ainda mais sentido.

    Porque talvez o mais interessante de Belo Horizonte hoje seja justamente isso: a cidade consegue circular entre Minas, França, Espanha, Ásia e América Latina sem perder a própria raiz no caminho.

    Belo Horizonte vive uma fase especialmente interessante – restaurantes em BH

    O mais interessante dessa volta a Belo Horizonte talvez tenha sido perceber que a cidade não tenta mais se encaixar em uma tendência gastronômica específica. BH simplesmente amadureceu.

    Existe repertório técnico, diversidade cultural, chefs mais autorais e uma cena que consegue ser sofisticada sem perder informalidade — característica que sempre fez parte da cidade. E talvez seja exatamente isso que torne Belo Horizonte um dos destinos gastronômicos mais interessantes do Brasil hoje. Principalmente considerando como a cidade está perto tanto do Rio quanto de São Paulo — e ainda assim, muitas vezes, acaba ficando fora do radar gastronômico nacional.

    Não pela necessidade de competir com outras capitais. Mas porque finalmente parece confortável em ser apenas BH. Não vejo a hora de voltar.

    Por Renata Araújo. Maio de 2026.

  • Tradicional vinícola de Mendoza, Escorihuela Gascón lança Sauvignon Blanc de montanha no Brasil

    Tradicional vinícola de Mendoza, Escorihuela Gascón lança Sauvignon Blanc de montanha no Brasil

    O Sauvignon Blanc 2023 da linha Pequeñas Producciones é o lançamento mais recente da tradicional vinícola Escorihuela Gascón, uma das mais antigas de Mendoza, para o mercado brasileiro. O enólogo Matias Cicciani veio ao Rio de Janeiro para conduzir a degustação e explicou que esse é um típico Sauvignon Blanc de montanha — característica que traz diferenciais importantes em comparação aos vinhos produzidos com a mesma uva em regiões próximas ao mar.

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    Tradicional vinícola de Mendoza

    Fundada em 1884, a Escorihuela Gascón é uma das vinícolas mais tradicionais de Mendoza e uma das pioneiras na produção de vinhos premium na Argentina. Localizada aos pés da Cordilheira dos Andes, trabalha com vinhedos de altitude em regiões como Vale do Uco e Agrelo, conhecidas pela grande amplitude térmica, condição ideal para uvas com boa acidez, frescor e intensidade aromática.

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    Vinhos de altitude e potencial de guarda

    “Passa por barrica de carvalho no processo de produção e o potencial de guarda é de dez anos, sem perder o frescor. As notas são de ervas e frutas de bosque. Harmoniza bem com pratos vegetarianos e peixes de rio”, recomenda Cicciani. Outro destaque da degustação foi o The President’s Blend, colheita 2021, rótulo que reproduz o corte favorito do casal Perón e Evita, na década de 1950: 85% Malbec, 10% Cabernet Sauvignon e 5% Syrah, cultivadas em vinhedos de altitude no Vale do Uco.

    Já o MEG, safra 2021, leva as iniciais do fundador espanhol da vinícola no século XIX, Miguel Escorihuela Gascón. O assemblage de Malbec e Cabernet Sauvignon apresenta equilíbrio, com aromas de cassis, cereja e especiarias.

    Último rótulo da degustação, o DON 2022 é um dos ícones da vinícola: um varietal de Malbec que expressa a potência e a elegância do terroir mendocino.

    Os vinhos estão disponíveis em lojas de e-commerce.

    Por Renata Busch. Maio de 2026.
    Fotos: Renata Busch e Divulgação.

  • ILTM Latin America 2026: os destaques da maior feira de turismo de luxo da América Latina em São Paulo

    ILTM Latin America 2026: os destaques da maior feira de turismo de luxo da América Latina em São Paulo

    A ILTM Latin America voltou a transformar a Bienal do Ibirapuera em um grande ponto de encontro da indústria global de viagens de alto padrão. Em sua 14ª edição, a principal feira de turismo de luxo da América Latina realizou sua maior edição até hoje, reunindo 550 marcas expositoras e 550 agentes de viagens vindos de 85 cidades, em 11 países latino-americanos. Foram mais de 28 mil reuniões pré-agendadas ao longo de quatro dias de evento, consolidando São Paulo como um dos principais hubs de negócios do turismo de luxo internacional. Estive presente em mais uma edição da ILTM como parte do grupo seleto de jornalistas convidados para a cobertura oficial de imprensa — um privilégio que acompanha meus últimos dez anos de participação no evento e que segue sendo uma oportunidade única de acompanhar, em primeira mão, os movimentos que moldam o futuro da hotelaria, da aviação e das experiências de luxo ao redor do mundo.

    Neste ano, o tema “Journeys That Matter” deu o tom da feira e trouxe uma reflexão mais profunda sobre o novo perfil do viajante de luxo: alguém que busca experiências com propósito, conexão genuína, impacto positivo e bem-estar. Mais do que destinos e hotéis, a conversa girou em torno de significado.

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    A maior edição da ILTM Latin America

    A edição de 2026 cresceu cerca de 20% em relação ao ano anterior e reforçou um movimento que já vinha sendo percebido nas últimas edições: o turismo de luxo segue em expansão, mas agora com um olhar mais atento para autenticidade, sustentabilidade e experiências transformadoras. A Bienal recebeu grandes grupos internacionais da hotelaria, cruzeiros e aviação premium, além de destinos turísticos que vêm ampliando investimentos no mercado latino-americano. Delegações da Itália, Suíça e Coreia do Sul chegaram maiores nesta edição, enquanto a França retornou ao evento após dez anos de ausência. Dubai também voltou a participar da feira após dois anos.

    Os espaços da Bienal foram ocupados por estandes de hotéis, destinos, companhias aéreas e marcas de turismo de luxo do mundo inteiro — sempre muito bem decorados e com ativações criadas para atrair a atenção dos participantes entre uma reunião e outra. Marriott International, Preferred Hotels & Resorts, Hilton Luxury Brands, Relais & Châteaux, Small Luxury Hotels, Mandarin Oriental, Rosewood, Belmond e Bvlgari Hotels & Resorts estavam entre os grupos com presença de destaque nesta edição.

    A Lufthansa Group, por exemplo, apresentou uma experiência imersiva em realidade virtual para mostrar a nova cabine Allegris, conceito totalmente reformulado para voos de longa distância e um dos maiores investimentos recentes da companhia em experiência premium a bordo. O grupo também aproveitou a ILTM para apresentar globalmente o FOX — Future Onboard Experience, reforçando como o luxo na aviação hoje começa muito antes do embarque.

    O coquetel de abertura na Bienal

    A programação começou com o tradicional coquetel de abertura realizado na própria Bienal do Ibirapuera, reunindo expositores, buyers, jornalistas e representantes da indústria em um ambiente descontraído antes do início oficial das reuniões de negócios. Logo na chegada, o tema “Journeys That Matter” aparecia em diferentes ativações espalhadas pelo espaço, reforçando a proposta de um turismo mais conectado a experiências significativas e memoráveis.

    Entre encontros, reencontros e conversas sobre novas aberturas, tendências e destinos, a sensação era de uma indústria otimista e em forte movimento de renovação.

    As coletivas de imprensa

    A programação exclusiva para jornalistas aconteceu no Media Centre da ILTM, espaço reservado para coletivas, entrevistas e encontros estratégicos com representantes de hotéis, destinos, companhias aéreas e grupos internacionais. Ao longo de dois dias intensos de coletivas, tivemos acesso a anúncios importantes da hotelaria de luxo global. Entre os destaques, o Mandarin Oriental revelou novidades no México e em Grand Cayman, além da aguardada reabertura do Mandarin Oriental Miami, prevista para 2030.

    A Bvlgari Hotels & Resorts confirmou sua expansão internacional com novas propriedades previstas até o fim da década. Além disso, a marca italiana também promoveu um almoço exclusivo para jornalistas dentro da programação da feira, reforçando a presença da rede no segmento de hospitalidade ultra luxo.

    Já a Preferred Hotels & Resorts anunciou três novos hotéis brasileiros em seu portfólio: o NANNAI Muro Alto, em Porto de Galinhas — onde já estive hospedada e temos matéria completa aqui no site — além do NANNAI Noronha, em Fernando de Noronha, e do Duke Beach Hotel, em Maresias, no litoral paulista. O movimento reforça o crescimento do Brasil dentro do turismo de luxo internacional, especialmente em propriedades que unem hospitalidade autoral e forte identidade regional.

    Durante a coletiva, Netto Moreira, diretor-geral de luxo da Accor, antecipou alguns detalhes do aguardado Sofitel Ipanema, que reabre após sete anos de obras. O hotel terá quatro restaurantes com vista para o mar, incluindo uma operação do premiado Lasai, atualmente com duas estrelas Michelin. A inauguração está prevista para o último trimestre do ano e já era um dos assuntos mais comentados da feira.

    Já a Minor Hotels detalhou a expansão das marcas Anantara e Tivoli no Brasil, com projetos previstos para Bahia e Ceará.

    A Marriott International circulava em praticamente todas as conversas da ILTM deste ano, reforçando a força crescente do segmento de luxo dentro do grupo. Já o Corinthia Hotels apresentou novidades da marca e relembrei propriedades onde já estive hospedada, como o elegante Corinthia London e o The Surrey, em Nova York.

    Durante a coletiva da Belmond, a diretora de vendas Carolina Inacio falou sobre o conceito de “slow luxury”, uma proposta que valoriza experiências mais profundas e o uso mais consciente do tempo durante as viagens — um contraponto interessante ao ritmo acelerado da vida contemporânea. A marca também destacou suas iniciativas sociais e atualizações da grande renovação do Copacabana Palace, um dos hotéis mais icônicos do Brasil.

    O segmento de cruzeiros premium apareceu ainda mais fortalecido nesta edição, especialmente com a presença da Explora Journeys e da AmaWaterways, reforçando a tendência das viagens marítimas mais exclusivas, intimistas e focadas em experiências culturais.

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    As roundtables

    Além das coletivas, a imprensa também participou das tradicionais press roundtables, encontros menores e mais dinâmicos com representantes de hotéis, destinos e marcas independentes. Diferente das apresentações mais institucionais das coletivas, aqui as conversas acontecem de forma mais próxima e personalizada — normalmente em reuniões de cerca de cinco minutos, que acabam funcionando como uma mistura de networking, troca editorial e descoberta de novos destinos.

    Conheci novidades de propriedades como o Hotel du Couvent, em Nice, o sofisticado Castel di Reschio, na Itália, além do Cipriani, A Belmond Hotel, em Veneza. Também conversei com representantes do Capella Bangkok, um dos hotéis mais elogiados da Ásia atualmente, e com grupos como a Cheval Collection e Aman, marcas que seguem apostando em experiências cada vez mais exclusivas e personalizadas.

    A Switzerland Tourism também apresentou novos roteiros focados em bem-estar, gastronomia e turismo sustentável, enquanto algumas marcas reforçavam uma tendência muito clara nesta edição: o luxo mais silencioso, ligado à autenticidade, privacidade e conexão genuína com o destino.

    Jornalismo especializado e a participação na Revista PANROTAS

    Além da cobertura da ILTM, participei pelo quarto ano consecutivo da edição especial de luxo da Revista PANROTAS, uma das principais publicações da indústria do turismo no Brasil, distribuída durante a feira para agentes, executivos e profissionais do setor. Neste ano, assino duas matérias na edição especial dedicada à ILTM Latin America. A primeira aborda como a alta gastronomia passou a ocupar papel central no turismo de luxo contemporâneo, a partir da recente cerimônia do Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo 2026, realizada no Copacabana Palace. Clique aqui para ler na integra.

    Já a segunda matéria apresenta quatro hotéis que ajudam a redefinir o conceito de luxo em Nova York atualmente — não apenas pela sofisticação, mas pela maneira como traduzem identidade, serviço e experiência.

    Circular pela ILTM com a revista em mãos, entre alguns dos nomes mais relevantes da indústria global de viagens, é sempre uma experiência especial e um lembrete da importância do jornalismo especializado dentro do turismo de luxo.

    Os eventos paralelos

    Como já virou tradição durante a ILTM, a programação da semana também incluiu uma série de eventos paralelos promovidos por hotéis, destinos e grupos internacionais para imprensa e agentes de viagem. A Hyatt, por exemplo, reuniu convidados para um almoço no espaço Casa Manioca para apresentar novidades do grupo na América Latina. Entre os destaques estavam as futuras inaugurações do Park Hyatt Mexico City e do Park Hyatt Los Cabos, além da celebração dos 20 anos do Park Hyatt Buenos Aires. Atualmente, a Hyatt reúne 36 marcas em seu portfólio, incluindo nomes como Park Hyatt e Andaz.

    A Marriott International promoveu um almoço no JW Marriott Hotel São Paulo, com um bate-papo sobre comportamento, personalização e os novos caminhos do turismo de alto padrão — temas que apareceram com força ao longo de toda a ILTM. Já a Explora Journeys ofereceu um jantar exclusivo no restaurante Taraz, no Rosewood São Paulo, reforçando o posicionamento da marca no segmento de cruzeiros de luxo mais intimistas e focados em experiências culturais.

    O Turismo da Suíça recebeu jornalistas em um jantar no restaurante Marena Cucina, com degustação de vinhos suíços e apresentação de novos roteiros ligados à gastronomia, natureza e bem-estar. A Preferred Hotels & Resorts — selo de luxo que admiro e acompanho há anos — realizou um encontro na suíte presidencial do Hotel Unique. O grupo reúne mais de 1.100 hotéis, resorts e residências independentes ao redor do mundo, incluindo o NANNAI Muro Alto, recém-integrado ao portfólio.

    Outro encontro bastante disputado aconteceu no Rosewood São Paulo, durante evento promovido pela Virtuoso, principal rede global de consultores de viagens de luxo e travel designers do mundo. A marca trabalha com curadoria altamente personalizada, experiências exclusivas e forte compromisso com turismo sustentável, valorizando comunidades locais, gastronomia regional e destinos fora do circuito excessivamente turístico.

    Muito além de uma feira de negócios

    A ILTM Latin America segue sendo um dos eventos mais importantes do calendário global do turismo de luxo — não apenas pelo volume de negócios, mas pela capacidade de reunir, em um único espaço, hotelaria, aviação, cruzeiros, destinos e experiências que ajudam a definir os próximos passos da indústria.

    Mais do que acompanhar tendências, estar na ILTM é observar como o conceito de luxo continua mudando. Hoje, ele parece muito menos ligado ao excesso e cada vez mais associado a experiências bem pensadas, conexões genuínas, conforto emocional e viagens que realmente deixam memória.

    E talvez seja exatamente isso que o tema “Journeys That Matter” tenha conseguido traduzir tão bem nesta edição.

    Texto e fotos por Renata Araújo. Maio de 2026.

  • Hotel de luxo no centro de Madri: Thompson celebra quatro anos conectado à cidade

    Hotel de luxo no centro de Madri: Thompson celebra quatro anos conectado à cidade

    Uma aula de dança sevilhana? Workshop de tortilla? Oficina de arte com batalha de coquetéis? Ou tudo isso combinado a um passeio de carro vintage pelo centro histórico de Madri? Há quatro anos, o Thompson Madrid, da rede Hyatt, vem reforçando sua proposta de integração com a comunidade local ao promover experiências que conectam hóspedes e moradores à capital espanhola — especialmente à histórica Plaza del Carmen, recém revitalizada após uma ampla intervenção urbana. Antes de mais nada, trata-se de uma imersão pela marca – que respira novos ares sobretudo em sua gastronomia – e a cidade. Um programão para turistas e, por que não, moradores.

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    Hotel Thompson em Madri celebra quatro anos

    A ideia foi de um time onde tem uma brasileira, a paulista Patrícia Gonçalves que, há quatro anos, deixou o Hyatt do Rio para tocar os setores de Marketing e Vendas da rede em Madri (Hyatt Centric e Thompson Madrid). “Sou do interior de São Paulo, de Paraguaçu Paulista. Vivi no Rio por cinco anos. Cheguei em Madri em 2022 com a missão de abrir o primeiro Thompson fora da América do Norte e implementar a marca em sua versão espanhola, sem trair as origens, mas fugindo do copia e cola.”, conta.

    Só existe um Thompson na Europa, o de Madri, aberto em 2022, depois de vários anos de obras muito cuidadosas, já que foram interligados dois edifícios. Até mais ou menos um século atrás, havia ali uma Igreja, de San Luis Obispo. Mas a marca já prepara sua expansão na Espanha: o Thompson Sevilha, na Andaluzia, tem inauguração prevista para o fim do verão europeu de 2026.

    Hoje, o resultado em Madri é um hotel que combina design contemporâneo, localização estratégica e uma oferta gastronômica robusta. Entre os destaques estão o restaurante Makáá, no terraço; o bar da piscina; o lobby bar; e duas novidades recentes: o Jack’s Club, no subsolo, pensado para eventos e encontros noturnos, e o La Barra de Ultramarines, voltado para a praça, inspirado nas tradicionais tabernas madrilenhas, com vermute, sangria, anchovas e outros clássicos locais.

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    A localização e a marca Thompson

    A Plaza del Carmen está localizada no coração de Madri, a apenas 5 minutos a pé da Gran Vía e da Puerta del Sol. É uma área central, próxima a pontos turísticos como a Plaza Mayor e o Teatro Lope de Vega, com fácil acesso ao metrô pelas estações Gran Vía e Callao. E mais, a 10 minutos de caminhada até o Museus do Prado e 20 até o Reina Sofia.

    O primeiro Thompson abriu em Nova York, no bairro do Soho, na rua Thompson e daí veio o nome. Foi em 2001. A ambição era de ser mais que um hotel, era ser um ponto de encontro cultural, vibrante, que agregasse valor à região e acelerasse a revitalização do bairro. “Gostamos de pensar que a marca já nasceu com vontade de impulsionar mudanças positivas e ser um epicentro cultural”, acrescenta Patrícia. Em Madri, a aposta foi instalar o hotel também no centro, em uma zona que é tão rica culturalmente, cheia de mistura e contrastes, mas nem sempre ligada ao luxo.

    “Não somos um típico hotel de luxo. Acreditamos em um luxo descontraído, despretensioso, integrado à cidade e com sentido e profundidade”, finaliza a diretora de marketing. As tarifas variam muito com a temporada e a ocupação, mas normalmente começam em cerca de 500€ por noite em apartamento standard e pode chegar a perto de 10,000€ em suítes.

    Por Bruno Calixto. Maio de 2026.

  • Casa Magnólia: novo restaurante em Ipanema resgata clássicos cariocas em clima de botequim elegante

    Casa Magnólia: novo restaurante em Ipanema resgata clássicos cariocas em clima de botequim elegante

    Há pouco mais de um mês, a movimentada esquina da Garcia D’Ávila com a Redentor ganhou um ponto de encontro para quem gosta da clássica boemia carioca. Fomos conhecer a Casa Magnólia, novo restaurante em Ipanema que resgata receitas de memória afetiva, balcão de acepipes, chope bem tirado e aquele clima de mesa descontraída, sem pressa, que atravessa gerações no Rio. Em uma casa de dois andares completamente reformada, a proposta bebe diretamente da tradição de endereços históricos do Rio, como Le Coin, Álvaro’s e Café Lamas — restaurantes que ajudaram a construir essa cultura carioca de mesas longas, pratos clássicos e encontros sem hora para acabar.

    O projeto é comandado pela chef Aline Cury, com passagens por casas como Oro, Pipo e Malta Beef Club, ao lado da chef executiva Viviane Mello. Juntas, elas criaram um cardápio que revisita pratos tradicionais da cidade com uma leitura mais atual, sem perder o clima acolhedor que faz parte desse tipo de restaurante.

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    Uma casa de esquina com alma carioca

    Antes mesmo de olhar o cardápio, a Casa Magnólia já conquista pela atmosfera. A fachada azul clara, as venezianas de madeira, o balcão generoso e as mesas voltadas para a rua ajudam a criar aquela sensação rara de restaurante que já nasce integrado ao bairro. O salão mistura referências de antigas mercearias cariocas com estética contemporânea: madeira, iluminação quente, azulejos listrados e um clima despretensiosamente elegante. É o tipo de restaurante em Ipanema que funciona tanto para um almoço mais longo quanto para parar no fim da tarde apenas para ficar nas entradinhas e tomar um chope.

    O balcão de acepipes merece atenção no novo restaurante em Ipanema

    Um dos destaques da Casa Magnólia em Ipanema é justamente o balcão de entradas frias e quentes, quase um convite automático a compartilhar. Entre os frios, provamos o vinagrete de polvo, o atum confitado com palha de batata e o escabeche de legumes, ótimas opções para dividir logo na chegada. No balcão quente, os pastéis chegaram muito bem recheados — especialmente o de bochecha bovina — e o bolovo de alheira acabou virando um dos favoritos da mesa. O pastel de queijo com tomate também funciona muito bem para acompanhar o chope gelado. Ou seja, as pequenas porções reforçam justamente essa proposta de comida de bar carioca reinterpretada com mais cuidado técnico, mas sem perder o lado afetivo.

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    Clássicos cariocas revisitados no menu principal

    Nos pratos principais, a Casa Magnólia aposta em receitas conhecidas do imaginário carioca. Vieram à mesa os Bifinhos Magnólia com arroz à piemontese, o Bife à Milanesa com guarnição à francesa, o Arroz Caldoso de Camarão, a moquequinha servida com arroz de coco e farofinha de castanha de caju, além do arroz de pato. Entre os clássicos do cardápio ainda aparecem pratos como picadinho, estrogonofe, filé com fritas e lasanha gratinada, reforçando essa proposta de comida afetiva carioca sem excessos de releitura.

    Para finalizar, as sobremesas seguem essa linha mais nostálgica. Entre os destaques, por exemplo, estão o Pudim Magnólia, a Banana Split feita com banana brûlée, sorvete de baunilha e farofinha doce crocante, além do tradicional creme de papaia com licor de jabuticaba produzido na casa.

    Chope bem tirado e carta de drinques sem exageros

    A experiência fica ainda melhor com o chope servido estupidamente gelado e muito bem tirado — daqueles detalhes simples que fazem diferença em um restaurante carioca. A carta de drinques, assinada pelo mixologista Marcelo Emídio, segue a mesma linha da cozinha: clássicos, caipirinhas, batidas e coquetéis autorais sem exageros de apresentação ou combinações mirabolantes. Aquele básico bem feito!

    Mercearia Magnólia: próximo passo do projeto

    O segundo andar da Casa Magnólia também ganhará novidades nos próximos meses. A ideia do grupo é inaugurar no segundo andara Mercearia Magnólia, retomando o conceito original que funcionava naquele endereço há cerca de 100 anos. A proposta será reunir sanduíches, acepipes, vinhos, cervejas e produtos da própria casa para consumo no local ou para levar, especialmente pensando naquele clima tradicional de lanche de domingo à noite carioca. Molhos, massas e petiscos também estarão à venda.

    A Casa Magnólia faz parte do Grupo Pulse, que atualmente reúne operações como Posì e Spicy Fish, em Ipanema, além do Mapuche, na Barra da Tijuca. Em São Paulo, o grupo também está à frente do Rói Méditerranée e da Osteria & Café Sardegna.

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    Eduarda Dupin e Fabio Dupin, restaurateurs do Grupo Pulse, e Renata Araújo

    Uma novidade que conversa com o Rio

    Em tempos de restaurantes cada vez mais cenográficos, a Casa Magnólia parece escolher outro caminho: o de um lugar que aposta mais na permanência do que no impacto imediato. Existe um cuidado evidente em criar um restaurante em Ipanema que combine conforto, boa comida e identidade carioca sem parecer forçado. Talvez por isso a casa já tenha começado movimentada: ela conversa diretamente com um tipo de gastronomia que muita gente sentia falta na cidade.


    Endereço: Rua Garcia D’Ávila, 151 – Ipanema, Rio de Janeiro

    Por Renata Araújo e Duda Vétere. Maio de 2026.
    Fotos: Renata Araújo, Duda Vétere e Rodrigo Azevedo

  • Como foi se hospedar no Copacabana Palace durante o show da Shakira no Rio

    Como foi se hospedar no Copacabana Palace durante o show da Shakira no Rio

    No último sábado, dia 2, o Rio de Janeiro virou o centro do mundo — e não é força de expressão. Mais de dois milhões de pessoas ocuparam a Praia de Copacabana para assistir ao que já entrou para a história como o maior show da carreira de Shakira. A apresentação, gratuita, fez parte de mais uma edição do projeto Todo Mundo no Rio e reuniu uma multidão que se espalhava da areia ao mar. Fui convidada para passar o fim de semana hospedada no Belmond Copacabana Palace e acompanhei esse movimento de um endereço que faz parte do imaginário carioca — e que, naquele cenário, se transformou em um dos pontos mais privilegiados da cidade.

    Da varanda da minha suíte, a imagem era de um verdadeiro mar de gente, difícil até de dimensionar, com a expectativa crescendo horas antes de Shakira subir ao palco para um show que ainda traria participações de nomes como Anitta, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Ivete Sangalo. A cobertura que fizemos em tempo real no Instagram do You Must Go! rapidamente ganhou proporção, com vídeos que viralizaram ao mostrar a dimensão daquela noite vista da sacada da suíte: um mar de luzinhas pela orla, a praia inteira cantando em coro e uma energia difícil de traduzir!

    Aliás, se você está planejando sua próxima viagem não esqueça de reservar com o Booking, nosso parceiro! Não muda nada e desta maneira você nos ajuda a monetizar nosso trabalho.

    Como foi se hospedar no Copacabana Palace no fim de semana do show da Shakira

    Ficar no Copacabana Palace durante um evento como esse muda a forma de viver a cidade. O hotel mantém uma rotina própria — mais silenciosa e organizada — mesmo enquanto o bairro opera em outro ritmo. Existe um contraste interessante entre a calma do hotel e a energia que toma conta da praia ao longo do fim de semana.

    Minha suíte seguia a estética clássica que é marca registrada do Copa, com ambientes amplos, iluminação bem resolvida e atenção aos detalhes. Ao chegar, fui recebida com mimos, como espumante e uma caixa de chocolates. O destaque, inevitavelmente, eram as duas sacadas voltadas para a praia. Foi dali que acompanhei não só o show, mas todo o movimento ao longo do fim de semana — dos ensaios no dia anterior até o momento em que a areia já não comportava mais ninguém.

    O ritmo do dia: do café da manhã ao pré-show

    O sábado do show começou em um ritmo bem diferente do que acontecia na praia. O café da manhã na Pérgula, com vista para a piscina do Copa, seguia aquele clima clássico do hotel: serviço atento, ambiente tranquilo e hóspedes tentando aproveitar as últimas horas de calma antes da movimentação tomar conta de Copacabana.

    Acabei passando boa parte do dia entre a piscina, a suíte e o restaurante. O almoço, mais leve, também foi no Pérgula — uma pausa estratégica antes das horas intensas que viriam depois. Sob comando do chef executivo Nello Cassese, o restaurante consegue equilibrar perfeitamente esse clima mais descontraído durante o dia com a sofisticação que se espera do hotel. Na noite anterior, o jantar tinha sido no Mee, restaurante pan-asiático comandado por Alberto Morisawa, que acaba de conquistar sua nona estrela Michelin consecutiva. Uma experiência mais silenciosa e intimista, quase como o oposto da energia que tomaria conta da praia no dia seguinte.

    Já no fim da tarde, a movimentação começou a mudar também dentro da minha suíte. Equipe de maquiagem, cabelo, produção, roupas espalhadas e aquela sensação de que o evento finalmente estava começando de verdade. Antes do show, voltei à Pérgula para um jantar especial a convite do YouTube Brasil.

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    Entre a varanda e a areia

    Assistir ao show apenas da suíte seria confortável — mas incompleto. Obviamente, desci! Mas, antes de seguir para a areia, passei também pela área VIP montada dentro do próprio Copacabana Palace para os convidados do evento, com bares, comidas e uma estrutura especial para acompanhar o show com conforto. Ainda assim, quis descer para sentir de perto a energia da praia. Copacabana estava completamente tomada, e a resposta do público acompanhava cada momento do show. Shakira entregou uma apresentação consistente, com presença de palco segura e uma conexão evidente com o público brasileiro. Cantou em português com naturalidade, dedicou a noite às mulheres e construiu uma narrativa que alternava força e proximidade. As participações de artistas brasileiros ampliaram ainda mais esse diálogo com o público. Anitta, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Ivete Sangalo trouxeram diferentes camadas ao espetáculo, conectando repertórios e gerações.

    Depois de algumas horas em pé, voltei para o hotel, e assisti aos minutos finais da varanda.

    O que essa experiência revela sobre o Rio

    Acompanhar um evento dessa escala por dois pontos de vista — no meio da multidão e de cima — muda a leitura. Copacabana se reafirma como um dos grandes palcos a céu aberto do mundo, não apenas pela capacidade física, mas pela forma como a cidade responde. Existe uma entrega coletiva que sustenta esse tipo de evento. Naquela noite, o Rio funcionava em sintonia com o que acontecia no palco.

    Uma noite que continua depois que o som termina

    Já de madrugada, de volta à suíte, ainda era possível ouvir ecos do show e observar a movimentação diminuindo aos poucos. Da varanda, os últimos fogos, o público se dispersando e a cidade retomando o ritmo. Algumas experiências terminam quando o evento acaba, enquanto outras continuam por mais tempo.

    Por Renata Araújo. Maio de 2026.

    Fotos: Renata Araújo e Divulgação

  • Restaurante do Hotel Emiliano, em Copacabana, apresenta novo chef argentino e aposta em ingredientes brasileiros

    Restaurante do Hotel Emiliano, em Copacabana, apresenta novo chef argentino e aposta em ingredientes brasileiros

    O Emile, restaurante do Hotel Emiliano, em Copacabana, acaba de entrar em uma nova fase sob o comando do chef argentino Bernabé Simón Padrós. Frequento a casa desde a abertura do hotel, em 2016, e voltar agora foi também perceber uma mudança clara na cozinha — mais direta, mais focada no produto e com uma linguagem bem definida. Localizado no térreo e aberto também para não hóspedes, o Emile sempre teve um papel central na experiência do hotel — seja no café da manhã, brunch ou no jantar, onde a proposta de fine dining ganha mais protagonismo.

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    Ambiente do restaurante

    O ambiente segue a estética elegante e discreta do Hotel Emiliano, com iluminação suave e ritmo mais pausado — um convite para um jantar ou almoço sem pressa. Um detalhe interessante está na apresentação dos pratos, servidos em cerâmicas desenvolvidas por artistas do Brasil e da Argentina, reforçando a conexão entre origem e identidade. A chegada de Bernabé marca um momento de maior definição para o Emile. A proposta ganha clareza e coloca o ingrediente no centro da experiência.

    Quem é o chef Bernabé Simón Padrós

    Nascido em Salta, na Argentina, Bernabé construiu uma trajetória consistente em cozinhas de referência na América Latina e na Europa. Passou pelo País Basco e integrou restaurantes como Astrid y Gastón e Central, em Lima — este último eleito o melhor do mundo pelo The World’s 50 Best Restaurants em 2023. Trabalhou ao lado de Virgilio Martínez e Pía León, e também participou de projetos no Kjolle, com atuação internacional. Já havia o conhecido antes, em um jantar no Cipriani, quando esteve ao lado de Pía León. Agora, o reencontro acontece em outro contexto — à frente de sua própria cozinha no Rio.

    Ingrediente como ponto de partida

    A proposta de Bernabé é direta: pratos construídos com poucos elementos, onde o produto aparece com clareza e precisão. Os ingredientes são majoritariamente brasileiros — muitos vindos do próprio estado do Rio — e a técnica aparece como ferramenta para revelar, e não transformar, a essência de cada um. O resultado são pratos concisos, com identidade e equilíbrio. Conversei com o chef durante o jantar e ele comentou que já tinha algum repertório de produtos brasileiros, mas que tem se encantado com o que encontra no Rio. Essa curiosidade se reflete no menu.

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    O que provar no novo menu do Emile

    O menu propõe uma experiência mais dinâmica, com pratos pensados para compartilhar — uma mudança sutil, mas relevante no formato do jantar. Começamos pelo tiradito de peixe do dia com leite de tigre de yuzu kosho e azeite de coentro: fresco, cítrico e muito preciso. O atum curado com molho de atum e anchovas, gel de limão, batata e alcaparra frita trouxe uma acidez bem construída, com camadas de sabor. O creme de amêndoas com cogumelos em diferentes preparos, cebola e lardo crocante equilibra textura e profundidade, enquanto o brócolis com aspargos e molho de missô se destaca pelo ponto e pelo umami bem marcado.

    Nos principais, o peixe do dia na brasa com feijão Santarém e purê de abóbora traduz bem a proposta da casa: produto bem tratado, com técnica na medida. Já o spaghetti de cavaquinha com gengibre segue uma linha mais delicada e equilibrada. Já na ala doce, duas sobremesas que reforçam a identidade do menu: coco, cupuaçu e citron, fresca e levemente ácida, e cacau, café e missô, que traz contraste entre dulçor e profundidade.

    Para quem já conhece o restaurante, é uma mudança perceptível. Para quem ainda não foi, talvez seja o melhor momento para conhecer.

    End: Av. Atlântica, 3804 – Copacabana

    Por Renata Araújo. Maio de 2026.
    Fotos: Renata Araújo e Divulgação

  • Mahré, sofisticado hotel de luxo em São Miguel dos Milagres

    Mahré, sofisticado hotel de luxo em São Miguel dos Milagres

    Voltei ao Mahré em abril de 2026, quase dois anos depois da inauguração, e o que já era evidente desde a abertura hoje se confirma com ainda mais consistência: o hotel se consolidou como um dos melhores hotéis do Brasil. Em frente ao mar calmo de São Miguel dos Milagres, na Rota Ecológica de Alagoas, reúne natureza preservada, conforto e uma proposta de luxo despretensioso que dialoga bem com o destino, que fascina pela sua simplicidade, piscinas naturais e coqueiros a perder de vista. Um cenário que permanece praticamente intacto e que, a cada visita, reforça por que a região se tornou uma das mais desejadas do litoral brasileiro. Em um terreno de 40.000 m², em frente à segunda maior barreira de corais do mundo, o hotel em Milagres impressiona pelo equilíbrio entre o estilo pé na areia e uma sofisticação bem resolvida — aquele luxo rústico que não precisa se impor. Para completar, a gastronomia ainda é assinada pelo premiado chef Rafa Gomes.

    Seja para passar momentos de ócio na piscina, caminhar pela praia vazia ou explorar os arredores, o Mahré se mantém como um pouso certeiro para quem busca conforto e tranquilidade no Nordeste.

    Portanto, se estiver com planos de viajar para Maceió, não esqueça de reservar o seu hotel com o Booking, nosso parceiro! Não muda nada e desta maneira você consegue nos ajudar a monetizar nosso trabalho.

    Hotel de luxo de São Miguel dos Milagres

    O Mahré fica a apenas 1h30 de carro do aeroporto de Maceió, então o acesso é bem fácil. Logo ao chegar, me encantei pelo paisagismo muito bem cuidado do mais novo hotel de luxo de São Miguel dos Milagres. Projetado pelos escritórios de arquitetura Agra e Lemos e João Armentano, os ambientes são todos decorados com mobiliário de madeira, de muito bom gosto e com cores claras predominantes. Além disso, contam também com obras de artistas locais, que nos fazem lembrar o tempo todo de que estamos no Nordeste do Brasil. E que orgulho! Apaixonada por destinos de praia com natureza preservada, lembro bem da primeira vez que estive no Mahré, ainda recém-inaugurado. Hoje, o hotel mostra mais maturidade, com operação afinada e uma experiência ainda mais consistente.

    Aliás, o mesmo grupo é proprietário de outro hotel de luxo na região: a Pousada Haya, intimista e também pé na areia, a menos de dois quilômetros do Mahré.

    As 30 confortáveis suítes do hotel são espaçosas, luxuosas e práticas, com direito até a jardins privativos. Além de cama king size, todas contam com lençóis premium, travesseiros de plumas, cafeteira Nespresso, TV, frigobar, e enxoval Trousseau. O excelente banheiro com teto solar tem chuveiro potente e amenities Bulgari. Mas a cereja do bolo certamente fica por conta da piscina privativa, um mimo a mais para os hóspedes que lutam para sair do quarto tão confortável.

    Nas áreas comuns, o hotel oferece piscina com raia semiolímpica, com bar, serviço de praia bem estruturado, quadras de tênis e beach tênis, academia 24 horas e um rooftop aberto para o mar, com vista privilegiada do pôr do sol sobre o lago. É o tipo de estrutura que convida a permanecer — algo que reflete uma mudança clara na forma de viajar: menos sobre acumular programas e mais sobre a qualidade do tempo, aproveitando o hotel com calma.

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    A gastronomia do hotel

    A gastronomia do Mahré é comandada pelo chef Rafa Gomes, vencedor do MasterChef Profissionais e do Iron Chef Brasil, além de eleito Chef do Ano pelo guia Veja Rio Comer & Beber em 2023. À frente do restaurante Tahí, ele assina um menu autoral com forte presença de ingredientes brasileiros, especialmente do Nordeste, imprimindo sua marca de 20 anos trabalhando em restaurantes premiados fora do Brasil. A proposta combina técnica e leveza, com pratos que funcionam tanto em refeições mais elaboradas quanto nos momentos despretensiosos à beira-mar.

    Ah, e o café da manhã do Mahré, de fato, é um capitulo à parte. São diferentes opções e pratos típicos regionais, como, por exemplo, cuscuz em versões variadas, bolo de rolo e até waffle salgado, com ovo estalado e bacon. O difícil é sair da mesa!

    Além disso, o hotel conta com 3 bares, sendo um na piscina, um no rooftop, ambos com serviço exclusivo para hóspedes, e o bar principal, que atende visitantes também. Já a carta de drinques é assinada pela especialista em cachaça e mixologista, Isadora Fornari.

    As experiências no Mahré Hotel

    A experiência no hotel de luxo em São Miguel dos Milagres vai além da estrutura. O Mahré oferece atividades que exploram o entorno de forma sensível e bem organizada. Entre elas, por exemplo, os passeios de jangada para as piscinas naturais — um dos programas mais emblemáticos da região — com apoio do hotel, incluindo serviço de bebidas e aperitivos. Além disso, há também massagens sob demanda, realizadas no próprio quarto ou na varanda, em meio à privacidade e ao silêncio do lugar. Bicicletas ficam disponíveis para explorar os arredores, passando por praias quase desertas, lagoas e manguezais.

    Outro destaque são os programas ao entardecer, como piqueniques às margens do Rio Tatuamunha, santuário do peixe-boi, e jantares mais intimistas, que podem ser organizados no jardim privativo ou à beira-mar.

    Mas, realmente, os passeios de jangada para as piscinas naturais são um programa imperdível! Temos a chance de mergulhar em águas cristalinas, em meio aos peixinhos, com direito a comidinhas e drinques oferecidos pelo hotel. Luxo nos pequenos detalhes!

    O Mahré também organiza visitas ao centrinho de Milagres, onde ficam uma série de lojas com artesanato e moda locais, além da simpática igrejinha, a Capela dos Milagres, muito disputada para casamento.

    Outra parada do passeio é a Fonte Milagrosa, onde os turistas podem fotografar a imagem de São Miguel Arcanjo, observar a fonte através de um espesso vidro e, na parte externa beber a água que vem de uma nascente no alto do Morro do Cruzeiro. Reza a lenda que logo depois da colonização holandesa, um pescador encontrou na praia uma peça de madeira coberta por musgos e algas. Voltando para casa, resolveu parar na primeira fonte de água que encontrou para limpar a peça. O local era exatamente onde hoje está a Fonte Milagrosa. Foi aí que o pescador descobriu que era uma escultura de São Miguel Arcanjo, ficando curado de um grande problema de saúde. A notícia se espalhou e o lugar ficou conhecido como São Miguel dos Milagres.

    A experiência de se hospedar no Mahré

    Mais do que um hotel, o Mahré acompanha um movimento claro de quem viaja hoje: desacelerar, permanecer mais e valorizar experiências com identidade. Em Milagres, entre o silêncio das praias e o ritmo mais leve dos dias, essa proposta faz ainda mais sentido.

    End: Sítio Monjolo, São Miguel dos Milagres – AL. 

    Texto e fotos por Renata Araújo. Atualizado em abril de 2026.

  • Rosewood Mayakoba: hotel de luxo na Riviera Maya com casas privativas no México

    Rosewood Mayakoba: hotel de luxo na Riviera Maya com casas privativas no México

    Entre Cancún e Playa del Carmen, o Rosewood Mayakoba é um dos hotéis de luxo mais completos da Riviera Maya. Em um cenário cercado por manguezais e canais naturais, o resort reúne uma combinação difícil de equilibrar: casas privativas amplas — como a nossa, uma villa de seis quartos com piscina própria —, uma gastronomia diversa distribuída entre diferentes restaurantes e bares, spa integrado à natureza com programação diária de bem-estar e uma estrutura de piscinas e praia que convida a alternar entre os dois ao longo do dia. Tudo isso sustentado por um serviço preciso, que funciona com naturalidade e define o ritmo da experiência. Fui em janeiro, em uma viagem em família — éramos 12 pessoas, entre adultos e crianças — e ficamos em uma das villas do hotel. Ao longo dos dias, o roteiro deixou de ser relevante. Porque, ali, o próprio lugar organiza o tempo.

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    Mayakoba: quando o destino é o próprio hotel

    Mayakoba é um complexo fechado na Riviera Maya que reúne quatro hotéis — Rosewood, Banyan Tree, Fairmont e o recém-transformado Alila, marca da Hyatt com foco em bem-estar. São cerca de 250 hectares de área preservada, com canais navegáveis, trilhas e uma faixa de praia extensa. Dentro desse cenário, o Rosewood se posiciona como o mais exclusivo — com pouco mais de 130 acomodações entre suítes e villas. A proposta se confirma rapidamente: você não sente vontade de sair. E, no nosso caso, não saímos — com exceção de uma ida pontual ao supermercado por parte do grupo.

    Outra forma de entender o Mayakoba é pelo próprio sistema de canais que atravessa o complexo. Fizemos um passeio de barco pelos manguezais, uma das tantas experiencias oferecidas pelo hotel, e é ali que a propriedade se revela de um outro ângulo, mais silenciosa e integrada ao entorno. Navegando devagar, entre a vegetação densa, começamos a perceber melhor a escala do lugar, com algumas villas surgindo discretamente entre as árvores. Ao mesmo tempo, a fauna aparece com naturalidade: iguanas espalhadas pelo caminho, aves e pequenos movimentos que passam despercebidos no ritmo do dia a dia.

    Rosewood Mayakoba: o luxo que não precisa se explicar

    O Rosewood Mayakoba segue uma lógica muito própria da marca. Presente em destinos estratégicos ao redor do mundo, a rede construiu sua reputação a partir de um conceito que privilegia o senso de lugar — cada hotel é pensado para refletir o destino onde está inserido, em vez de replicar um padrão. No caso da Riviera Maya, isso aparece na forma como a arquitetura se integra aos manguezais, na escolha dos materiais, na gastronomia com referências locais e, principalmente, no serviço.

    Nada é ostensivo, nem excessivamente formal. O luxo aqui não está na tentativa de impressionar, mas na consistência — na forma como tudo funciona, no ritmo natural do dia e na sensação de que cada detalhe foi pensado para não interferir, apenas melhorar a experiência. Portanto, é um tipo de hotel que não precisa se explicar.

    Villas no hotel de luxo na Riviera Maya: mais do que espaço, uma forma de estar

    Embora o hotel tenha suítes e categorias menores, nossa experiência foi em uma das villas — como o Rosewood chama suas casas privativas no México. Ficamos em uma mansão de seis quartos — a mais nova do resort, inaugurada há pouco mais de um ano — e isso se refletia no desenho contemporâneo e na sensação de tudo ainda muito preciso.

    A configuração é pensada para grupos: duas master suítes, quartos amplos, uma suíte independente ao lado da casa, sala integrada, um TV room separado e uma área externa que naturalmente vira ponto de encontro. A piscina privativa, de grandes proporções, se conecta à churrasqueira e à varanda — criando um fluxo natural entre interior e exterior.

    A cozinha, equipada com appliances de primeira linha, não é apenas decorativa. Em alguns momentos, ela entra na dinâmica da viagem — especialmente no fim da tarde, quando o ritmo desacelera.

    O serviço que sustenta tudo

    Se existe um fio condutor na experiência, ele passa pelo serviço. Tivemos dois mordomos ao longo da estadia — e ambos operavam com uma precisão quase intuitiva. Era como se antecipassem o que a gente queria. Reservas, organização da casa, atenção às crianças, pequenos ajustes — tudo acontecia com naturalidade. É certamente esse tipo de serviço que sustenta o restante.

    Piscinas e o ritmo do dia no hotel de luxo na Riviera Maya

    O Rosewood Mayakoba tem duas piscinas principais, ambas com restaurante, e cada uma com uma atmosfera diferente. Uma delas, com um paisagismo especialmente bem resolvido, foi onde tomávamos café da manhã na maioria dos dias, no Casa del Lago. O café não está incluído em todas as diárias, mas no nosso caso fazia parte — e acabou se tornando uma refeição importante, com opções que iam de pratos mexicanos a clássicos internacionais. A partir dele, almoçávamos de forma mais leve, geralmente ali mesmo na piscina, e deixávamos o jantar como o momento mais elaborado.

    A outra piscina fica junto ao Aquí Me Quedo, praticamente pé na areia. É um dos lugares mais agradáveis do hotel, com clima descontraído e serviço que acompanha o ritmo mais leve do ambiente. Ao lado, há ainda uma piscina exclusiva para adultos, mais silenciosa, com seu próprio espaço de café da manhã — uma alternativa mais tranquila para quem busca sossego.

    A praia do Rosewood Mayakoba

    A praia acompanha bem essa atmosfera. A faixa de areia é ampla, bem cuidada e com espaço confortável entre as espreguiçadeiras, o que garante privacidade mesmo nos horários mais movimentados. O serviço é contínuo e discreto: equipe passando com toalhas geladas, água, protetor solar e pequenos agrados ao longo do dia. Em alguns momentos, surgem frutas frescas ou drinques leves, quase como uma extensão natural do que acontece nos restaurantes. O mar, com seus tons claros característicos da Riviera Maya, convida a pausas sem pressa.

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    Eventos pé na areia no hotel de luxo no México

    É também ali que acontecem alguns eventos gastronômicos ao longo da semana, como churrascos de frutos do mar e noites mexicanas com música, sempre com os pés na areia. Jantar com a brisa do mar, olhando as estrelas, cria uma atmosfera difícil de reproduzir — uma tranquilidade quase completa, interrompida apenas por pequenos quatis, comuns na região, curiosos e inofensivos, que às vezes apareciam e rapidamente viravam entretenimento para as crianças. Ao mesmo tempo, esses momentos acabam criando uma dinâmica interessante entre os hóspedes. Sem ser algo forçado, as pessoas começam a se reconhecer, trocar impressões e dividir o espaço de forma natural — um senso de comunidade que não é tão comum em hotéis desse porte.

    Essa proximidade também se reflete na equipe. Durante a estadia, encontramos o gerente geral, Edouard Grosmangin, francês que esteve por quase quatro anos à frente do Rosewood São Paulo, e hoje comanda o Mayakoba com essa mesma atenção ao detalhe. Ao lado dele, Rachel Laurine, diretora de quartos e brasileira, contribui para que hóspedes do Brasil se sintam ainda mais à vontade. É uma hospitalidade que vai além do serviço técnico — mais próxima, mais atenta, sem perder a discrição.

    Entre essas duas áreas e o mar, o dia se organiza com facilidade. E, no nosso caso, havia sempre uma terceira opção: a piscina da própria villa.

    Vida em família, sem roteiro rígido

    A viagem em família trouxe outro ritmo. Os dias começavam fora da casa — entre praia, piscina ou atividades — e terminavam ali, de forma mais desacelerada. Foi nesse intervalo que surgiram alguns dos melhores momentos. Uma tarde que virou churrasco. Um fim de dia na piscina. Uma piñata noturna organizada para as crianças, que rapidamente virou o centro da atenção. Nada parecia programado demais.

    Gastronomia que sustenta a experiência

    A gastronomia é um dos pontos mais fortes do Rosewood Mayakoba — e do próprio complexo. Entre os restaurantes do hotel, há uma diversidade bem resolvida: Casa del Lago, Punta Bonita, Aquí Me Quedo, La Fondita e Pan Dulce cobrem diferentes momentos do dia com consistência. O Agave Azul é uma das surpresas agradáveis — um japonês com influência da Baja California, que combina técnicas asiáticas com ingredientes locais, especialmente frutos do mar frescos. Os pratos têm execução precisa, acompanhados por coquetéis autorais, cervejas e até saquê mexicano.

    O Zapote Bar, com coquetelaria inspirada na Península de Yucatán, já apareceu em rankings como o The World’s 50 Best Bars e traduz bem o cuidado com os detalhes.

    Mas um dos momentos mais especiais foi no La Ceiba Garden & Kitchen. O conceito é simples — e muito bem executado: mesas compartilhadas ao ar livre, sob uma grande árvore, com menu inspirado na culinária maia e ingredientes cultivados ali mesmo. Fui a um coquetel no espaço e é difícil não notar o cuidado em cada detalhe. A iluminação, a montagem, o ritmo do serviço — tudo contribui para uma experiência sensorial completa.

    Com essa variedade e consistência, certamente o resultado é claro: o hóspede não sente a menor necessidade de sair do hotel.

    O Pueblito: lado mais pitoresco do Rosewood Maykoba

    Dentro do complexo, o El Pueblito traz um contraste interessante. Inspirado nas pequenas cidades mexicanas, o espaço reúne lojinhas, cafés e uma atmosfera mais informal, que quebra um pouco a lógica dos grandes hotéis. Aos domingos, uma pequena feira com produtores locais reforça esse clima. Foi, aliás, a única vez em que saímos da dinâmica do hotel — e ainda assim, sem realmente sair dele.

    Spa, esportes e atividades

    O spa do Rosewood Mayakoba, hotel de luxo na Riviera Maya, segue a mesma proposta do restante: integrado à natureza, silencioso e extremamente bem pensado. As cabines de tratamento ficam imersas na vegetação, acessadas por caminhos cercados de verde — um percurso que já começa a desacelerar antes mesmo da experiência em si. Ou seja, é difícil não notar o cuidado no desenho desse espaço, que foge completamente do padrão tradicional de spa.

    A programação inclui yoga, pilates e floating pilates, com professoras muito bem preparadas, além de terapeutas altamente profissionais. Além do spa principal, havia uma outra academia próxima à nossa villa — igualmente bem equipada, com uma piscina dedicada para natação e sauna. Um espaço completo, que facilitava manter a rotina com conforto. Enquanto isso, para quem busca atividades, o hotel oferece quadras esportivas, bicicletas, esportes aquáticos e uma programação variada. E há ainda um diferencial importante no complexo Mayakoba: o campo de golfe El Camaleón, um dos mais conhecidos do México, que já sediou etapas do PGA Tour e integra o cenário natural de forma impressionante, passando por áreas de selva, manguezais e até trechos à beira-mar.

    Além disso, para crianças, o kids club é bem estruturado. Ele oferece experiências lúdicas que vão além do básico, como uma caça às borboletas em um cenote, que rapidamente vira destaque para os pequenos.

    Um hotel de luxo na Riviera Maya para diferentes ritmos

    O Rosewood Mayakoba funciona bem para diferentes perfis. Grupos encontram nas villas espaço e flexibilidade. Casais encontram privacidade. E viagens entre amigos também se encaixam naturalmente. Apesar de estar muito próximo de Cancún, o clima é completamente diferente — mais silencioso, mais integrado à natureza. É possível fazer passeios pela região, claro, mas, no nosso caso, já conhecíamos bem e optamos por ficar. E foi a melhor decisão.

    Conclusão: o Rosewood Mayakoba não se define por um único elemento. É a soma — da villa, do serviço, da gastronomia e do ambiente — que constrói a experiência. Para quem busca um hotel de luxo na Riviera Maya com mais espaço, privacidade e um nível de detalhe que realmente faz diferença, é um endereço que vai além dos clichês do destino.

    No fim, o que fica não é exatamente o que foi feito. Mas a sensação de que, ali, tudo já estava resolvido.

    Texto e fotos por Renata Araújo. Abril de 2026.

  • Mata Città: complexo gastronômico italiano na Cidade Matarazzo, em São Paulo

    Mata Città: complexo gastronômico italiano na Cidade Matarazzo, em São Paulo

    O Mata Città é um complexo gastronômico italiano na Cidade Matarazzo, um dos projetos mais ambiciosos de São Paulo — considerado o maior restauro privado de patrimônio histórico do país, com dez edifícios tombados distribuídos em mais de 30 mil m², onde também estão o Rosewood São Paulo, a Soho House e a Casa Bradesco. É nesse cenário que surge o restaurante italiano, que impressiona pelos seus 1.600 m² e sete ambientes diferentes, combinando gastronomia, cenografia e bar em um único percurso. O endereço rapidamente virou um dos mais comentados da cidade — então claro que fui conhecer para entender o que está por trás desse movimento. A proposta é recriar a atmosfera da dolce vita italiana em um formato contemporâneo, com espaços que convidam a circular, pratos pensados para compartilhar e uma experiência que atravessa diferentes momentos do dia, do café da manhã ao jantar.

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    Uma “città” dentro de São Paulo: complexo gastronômico italiano na Cidade Matarazzo

    O Mata Città vai além do formato tradicional de restaurante. Os sete ambientes se conectam, mas mantêm identidades próprias, criando uma dinâmica interessante ao longo da visita. O projeto leva a assinatura do escritório TOCA, e aposta em uma estética rica em camadas — cerâmicas pintadas à mão, objetos garimpados, iluminação quente e uma composição visual bem construída. No conjunto, a sensação é de um endereço pensado para ficar e estender — daqueles em que você naturalmente muda de lugar ao longo da visita, sem pressa.

    Sete espaços, diferentes momentos no restaurante italiano na Bela Vista

    O Dolce Vita abre o dia com café, brunch e gelatos, em um clima mais leve. Já o Capo segue por uma linha mais intimista, com iluminação baixa e um bar que naturalmente convida a esticar a noite. O Conde traz referências à imigração italiana em São Paulo, enquanto o Cucina funciona como um empório em movimento, com produtos expostos e uma dinâmica mais próxima da cozinha.

    Além disso, o Terrazza tem um clima mais aberto, com vegetação e luz natural, e o Tivoli, um jardim de inverno, cria um respiro interessante no percurso. Já o Positano aposta em um cenário mais expressivo, com paredes ocupadas por garrafas e iluminação em tons quentes.

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    Um menu italiano direto — e pensado para compartilhar

    O cardápio segue a mesma lógica da casa: amplo, sem complicação e com pratos que funcionam em diferentes momentos do dia. A sensação é de uma cozinha italiana que aposta no conforto — receitas conhecidas e com porções generosas, pensadas para dividir. Entre as entradas, provei o carpaccio di manzo, com lâminas finas de carne, molho clássico de mostarda, rúcula e pecorino, e a burrata caprese, servida com mix de tomates, redução de balsâmico e manjericão — dois clássicos bem executados.

    Já nos principais, as massas naturalmente ganham destaque, e percorrem diferentes regiões da Itália. O gnocchi al tartufo, com cogumelos frescos e salsa de trufas, traz uma combinação mais intensa, enquanto a lasagna della casa, com molho bolonhesa, creme de parmesão e manjericão, segue uma linha mais reconfortante. Mas o cardápio vai além: há também opções como ossobuco com risoto de limão siciliano, bistecca para compartilhar e preparos grelhados, além das pizzas, que completam a proposta.

    Para finalizar, o trio di cannoli siciliani, com ricota doce, raspas de laranja, chocolate e pistache, fecha a refeição mantendo a proposta italiana do início ao fim.

    Drinques e ritmo de casa cheia

    O bar tem papel importante na dinâmica da casa. A carta de coquetéis acompanha o clima italiano com releituras e combinações mais frescas, sem exageros. É o tipo de endereço em que o tempo desacelera naturalmente — seja para um drinque no fim da tarde ou para prolongar a noite.

    Cidade Matarazzo: um dos projetos mais ambiciosos de São Paulo

    Instalado no antigo Complexo Hospitalar Umberto I, o espaço hoje conhecido como Cidade Matarazzo foi inaugurado em 2022 como um dos maiores projetos de regeneração urbana do país. São mais de 30 mil m² que combinam edifícios históricos restaurados e novas construções, em um conjunto que reúne hotel, residências, espaços culturais e gastronomia. Idealizado pelo empresário francês Alexandre Allard, o projeto parte da preservação da arquitetura original, mas com um olhar contemporâneo de uso — reunindo nomes como Jean Nouvel, Philippe Starck e os irmãos Campana. Hoje, o endereço abriga o Rosewood São Paulo, a Soho House, a Capela Santa Luzia e outros espaços que ajudam a transformar a área em um novo polo de lifestyle na cidade.

    Portanto, o Mata Città faz parte de um movimento mais amplo da hospitalidade paulistana, que aposta em espaços híbridos e experiências mais completas. Na cozinha, os chefs Felipe Rodrigues e Thiago Saldiva conduzem o menu com consistência, enquanto o bar é liderado por Gabriel Bressane e Carlos Franco. Ou seja, mais do que um complexo gastronômico, funciona como ponto de encontro — seja para um café durante o dia, um almoço sem pressa ou um jantar que se estende.

    End: Rua Itapeva, 569 – Bela Vista – São Paulo

    Por Renata Araújo. Abril de 2026.
    Fotos: Renata Araújo e Rubens Kato

  • Maison Telmont: o champagne mais sustentável do mundo — à mesa, no Rio

    Maison Telmont: o champagne mais sustentável do mundo — à mesa, no Rio

    Uma das histórias mais interessantes do champagne hoje não está apenas na taça — mas na forma como ela é produzida. Fundada em 1912, no sul da Champagne, a Maison Telmont atravessa quatro gerações com uma proposta que hoje ganha ainda mais relevância — e que a posiciona como uma forte candidata a produzir o champagne mais sustentável do mundo: criar grandes vinhos sem abrir mão do compromisso com o futuro. O lema é direto — “o champagne é bom se a Terra é bela” — e não fica só no discurso. A casa vem redesenhando toda a sua operação, com foco em agricultura orgânica e regenerativa, transparência e uma meta clara de impacto reduzido. Garrafas mais leves, ausência de gift boxes e logística por navio fazem parte dessa equação.

    É um movimento raro em uma região historicamente marcada por tradição — e que posiciona a Telmont de forma única dentro do universo do luxo. Na taça, isso se traduz em champagnes precisos, gastronômicos, pensados para acompanhar uma refeição inteira. Foi essa proposta que guiou o almoço no restaurante do Hotel Janeiro, com menu assinado pelo chef Álvaro Cantinho e harmonização conduzida por Hugo Bettarel, representante da maison.

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    Almoço com o champagne mais sustentável do mundo

    Começamos no rooftop, com vista para o Cristo e para o mar, antes de seguir para um percurso onde cada prato dialogava com diferentes expressões da Telmont — do frescor do rosé à complexidade dos rótulos mais estruturados. À mesa, esse diálogo se revela com precisão. O primeiro movimento veio em forma de um crudo de peixes com azeite de ervas e tangerina, acompanhado de uma delicada flor de abóbora recheada com queijo de cabra — leve e aromático, em sintonia com o frescor do Champagne Telmont Rosé.

    Nos principais, a escolha entre o agnolotti de abóbora com gengibre, servido com caldo de cogumelos e diferentes texturas do ingrediente, e o peixe na brasa com purê de banana, manteiga noisette, quiabo tostado e rúcula selvagem, mostrava uma cozinha confortável, mas com identidade. Ambos ganharam outra dimensão com o Blanc de Blancs 2014 — mais estruturado, com acidez precisa e profundidade suficiente para sustentar sabores mais terrosos e tostados.

    A sobremesa, um mil-folhas com doce de leite defumado, banana brûlée e creme pâtissier, encerrou o percurso retomando o Extra Brut. Um contraste bem resolvido entre dulçor e frescor — daqueles finais que não pesam, mas permanecem. Portanto, mais do que uma harmonização técnica, foi uma construção de narrativa — em que cada taça ampliava o prato, e cada prato revelava uma nova camada do vinho. É esse tipo de experiência que traduz, na prática, o posicionamento da maison: um champagne pensado para a mesa, com profundidade, precisão e propósito.

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    Maison Telmont: origem, filosofia e impacto

    A Maison Telmont é uma das histórias mais interessantes do universo do champagne hoje. Fundada em 1912, em Damery, perto de Épernay, a casa atravessa gerações mantendo um olhar atento ao futuro. Nos últimos anos, essa visão se traduz em uma transformação consistente em toda a produção: da conversão dos vinhedos para agricultura orgânica e regenerativa à revisão de embalagens e logística, com metas claras de redução de impacto até 2050.

    Hoje sob o controle do grupo Rémy Cointreau, com participação minoritária de Leonardo DiCaprio, a Telmont se tornou a primeira maison a conquistar a certificação Regenerative Organic Certified (ROC), que vai além do orgânico ao considerar solo, biodiversidade e bem-estar.

    Na taça, esse compromisso aparece de forma precisa, em rótulos com vocação gastronômica, como o Réserve Extra Brut — um blend de sete safras, com notas de pera e amêndoas levemente tostadas, textura cremosa e final longo. Um champagne que une terroir, técnica e uma visão mais consciente de futuro — ainda raro nesse universo.

    Por Renata Araújo. Abril de 2026.
    Fotos: Renata Araújo e Dhani B

  • Picchi: restaurante italiano com estrela Michelin nos Jardins mantém excelência e cozinha autoral

    Picchi: restaurante italiano com estrela Michelin nos Jardins mantém excelência e cozinha autoral

    Em plena Rua Oscar Freire, o Picchi é um daqueles endereços que sustentam sua relevância ao longo do tempo. Em uma grande metrópole como São Paulo, onde a oferta de casas italianas é ampla e diversa, destacar-se com consistência não é trivial. O restaurante italiano nos Jardins combina tradição e olhar contemporâneo com uma segurança rara — e isso ficou ainda mais evidente na mais recente edição do Guia Michelin, em que manteve sua estrela, conquistada em 2017. À frente da casa, o chef Pier Paolo Picchi segue como uma das referências mais sólidas da cozinha italiana na cidade. Um lugar que vai além dos clichês, onde técnica, memória e sensibilidade se traduzem em uma experiência precisa e muito bem construída.

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    Um italiano autoral com base afetiva

    Filho de italianos e com formação na Europa, Pier Paolo construiu uma cozinha que respeita profundamente as bases clássicas, mas que se expressa de forma contemporânea. No Picchi, nada soa excessivo. Existe um cuidado evidente em preservar sabores reconhecíveis, enquanto técnicas e apresentações trazem frescor à experiência. É uma gastronomia local com toque autoral, onde tradição e criatividade caminham juntas.

    Ambiente do restaurante italiano com estrela Michelin nos Jardins

    O salão acompanha essa mesma lógica: elegante, acolhedor e sem ostentação. Madeira, iluminação suave e um serviço muito bem coordenado criam um ambiente confortável, que convida a desacelerar. É o tipo de restaurante pensado para uma experiência mais longa, onde cada etapa acontece com ritmo. Nada chama mais atenção do que o necessário — e talvez seja justamente isso que torna o espaço tão coerente com a proposta da cozinha.

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    Menu degustação e a construção da experiência

    Apesar das opções à la carte no almoço, é no menu degustação que o Picchi revela sua identidade com mais clareza. A experiência começa de forma delicada, com snacks bem executados e pães artesanais ainda quentes, acompanhados de manteigas que já mostram o nível de atenção da cozinha. Ao longo do percurso, os pratos constroem uma narrativa precisa. O tortelli de polenta com gorgonzola aparece com uma delicadeza que impressiona, enquanto o crudo de robalo com alcachofra e bottarga traz frescor e profundidade ao mesmo tempo.

    Em seguida, o espaguete ao vongole reforça a força da casa nas massas, sempre com textura impecável, antes de pratos mais estruturados como o carré de cordeiro com abóbora e enoki. Tudo evolui de forma natural, mas com muita técnica.

    A harmonização acompanha bem essa proposta, com rótulos que transitam entre França e Itália — do champagne ao Sauternes — em uma sequência equilibrada e sem ruídos. Já na sobremesa, a leveza surpreende: combinações como maçã verde com rúcula, açaí, maracujá e chocolate mostram um olhar contemporâneo também no final do percurso.

    Consistência que sustenta o reconhecimento

    A estrela Michelin, mantida desde 2017, não parece ser um objetivo — mas consequência. De fato, o Picchi é um daqueles restaurantes que não dependem de tendências. A cozinha é segura, o serviço é preciso e a experiência é coerente do começo ao fim. Não à toa, um dos italianos mais consagrados de São Paulo!

    Renata Araújo e o chef Pier Paolo no Guia Michelin 2026

    End: Rua Oscar Freire, 533 — Jardins, São Paulo

    Por Renata Araújo. Abril de 2026.
    Fotos: Renata Araújo; Crudo e Érika Mayumi