Em plena Rua Oscar Freire, o Picchi é um daqueles endereços que sustentam sua relevância ao longo do tempo. Em uma grande metrópole como São Paulo, onde a oferta de casas italianas é ampla e diversa, destacar-se com consistência não é trivial. O restaurante italiano nos Jardins combina tradição e olhar contemporâneo com uma segurança rara — e isso ficou ainda mais evidente na mais recente edição do Guia Michelin, em que manteve sua estrela, conquistada em 2017. À frente da casa, o chef Pier Paolo Picchi segue como uma das referências mais sólidas da cozinha italiana na cidade. Um lugar que vai além dos clichês, onde técnica, memória e sensibilidade se traduzem em uma experiência precisa e muito bem construída.
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Um italiano autoral com base afetiva
Filho de italianos e com formação na Europa, Pier Paolo construiu uma cozinha que respeita profundamente as bases clássicas, mas que se expressa de forma contemporânea. No Picchi, nada soa excessivo. Existe um cuidado evidente em preservar sabores reconhecíveis, enquanto técnicas e apresentações trazem frescor à experiência. É uma gastronomia local com toque autoral, onde tradição e criatividade caminham juntas.
Ambiente do restaurante italiano com estrela Michelin nos Jardins
O salão acompanha essa mesma lógica: elegante, acolhedor e sem ostentação. Madeira, iluminação suave e um serviço muito bem coordenado criam um ambiente confortável, que convida a desacelerar. É o tipo de restaurante pensado para uma experiência mais longa, onde cada etapa acontece com ritmo. Nada chama mais atenção do que o necessário — e talvez seja justamente isso que torna o espaço tão coerente com a proposta da cozinha.
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Menu degustação e a construção da experiência
Apesar das opções à la carte no almoço, é no menu degustação que o Picchi revela sua identidade com mais clareza. A experiência começa de forma delicada, com snacks bem executados e pães artesanais ainda quentes, acompanhados de manteigas que já mostram o nível de atenção da cozinha. Ao longo do percurso, os pratos constroem uma narrativa precisa. O tortelli de polenta com gorgonzola aparece com uma delicadeza que impressiona, enquanto o crudo de robalo com alcachofra e bottarga traz frescor e profundidade ao mesmo tempo.
Em seguida, o espaguete ao vongole reforça a força da casa nas massas, sempre com textura impecável, antes de pratos mais estruturados como o carré de cordeiro com abóbora e enoki. Tudo evolui de forma natural, mas com muita técnica.
A harmonização acompanha bem essa proposta, com rótulos que transitam entre França e Itália — do champagne ao Sauternes — em uma sequência equilibrada e sem ruídos. Já na sobremesa, a leveza surpreende: combinações como maçã verde com rúcula, açaí, maracujá e chocolate mostram um olhar contemporâneo também no final do percurso.
Consistência que sustenta o reconhecimento
A estrela Michelin, mantida desde 2017, não parece ser um objetivo — mas consequência. De fato, o Picchi é um daqueles restaurantes que não dependem de tendências. A cozinha é segura, o serviço é preciso e a experiência é coerente do começo ao fim. Não à toa, um dos italianos mais consagrados de São Paulo!

End: Rua Oscar Freire, 533 — Jardins, São Paulo
Por Renata Araújo. Abril de 2026.
Fotos: Renata Araújo; Crudo e Érika Mayumi

