Mata Città: complexo gastronômico italiano na Cidade Matarazzo, em São Paulo

O Mata Città é um complexo gastronômico italiano na Cidade Matarazzo, um dos projetos mais ambiciosos de São Paulo — considerado o maior restauro privado de patrimônio histórico do país, com dez edifícios tombados distribuídos em mais de 30 mil m², onde também estão o Rosewood São Paulo, a Soho House e a Casa Bradesco. É nesse cenário que surge o restaurante italiano, que impressiona pelos seus 1.600 m² e sete ambientes diferentes, combinando gastronomia, cenografia e bar em um único percurso. O endereço rapidamente virou um dos mais comentados da cidade — então claro que fui conhecer para entender o que está por trás desse movimento. A proposta é recriar a atmosfera da dolce vita italiana em um formato contemporâneo, com espaços que convidam a circular, pratos pensados para compartilhar e uma experiência que atravessa diferentes momentos do dia, do café da manhã ao jantar.

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Uma “città” dentro de São Paulo: complexo gastronômico italiano na Cidade Matarazzo

O Mata Città vai além do formato tradicional de restaurante. Os sete ambientes se conectam, mas mantêm identidades próprias, criando uma dinâmica interessante ao longo da visita. O projeto leva a assinatura do escritório TOCA, e aposta em uma estética rica em camadas — cerâmicas pintadas à mão, objetos garimpados, iluminação quente e uma composição visual bem construída. No conjunto, a sensação é de um endereço pensado para ficar e estender — daqueles em que você naturalmente muda de lugar ao longo da visita, sem pressa.

Sete espaços, diferentes momentos no restaurante italiano na Bela Vista

O Dolce Vita abre o dia com café, brunch e gelatos, em um clima mais leve. Já o Capo segue por uma linha mais intimista, com iluminação baixa e um bar que naturalmente convida a esticar a noite. O Conde traz referências à imigração italiana em São Paulo, enquanto o Cucina funciona como um empório em movimento, com produtos expostos e uma dinâmica mais próxima da cozinha.

Além disso, o Terrazza tem um clima mais aberto, com vegetação e luz natural, e o Tivoli, um jardim de inverno, cria um respiro interessante no percurso. Já o Positano aposta em um cenário mais expressivo, com paredes ocupadas por garrafas e iluminação em tons quentes.

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Um menu italiano direto — e pensado para compartilhar

O cardápio segue a mesma lógica da casa: amplo, sem complicação e com pratos que funcionam em diferentes momentos do dia. A sensação é de uma cozinha italiana que aposta no conforto — receitas conhecidas e com porções generosas, pensadas para dividir. Entre as entradas, provei o carpaccio di manzo, com lâminas finas de carne, molho clássico de mostarda, rúcula e pecorino, e a burrata caprese, servida com mix de tomates, redução de balsâmico e manjericão — dois clássicos bem executados.

Já nos principais, as massas naturalmente ganham destaque, e percorrem diferentes regiões da Itália. O gnocchi al tartufo, com cogumelos frescos e salsa de trufas, traz uma combinação mais intensa, enquanto a lasagna della casa, com molho bolonhesa, creme de parmesão e manjericão, segue uma linha mais reconfortante. Mas o cardápio vai além: há também opções como ossobuco com risoto de limão siciliano, bistecca para compartilhar e preparos grelhados, além das pizzas, que completam a proposta.

Para finalizar, o trio di cannoli siciliani, com ricota doce, raspas de laranja, chocolate e pistache, fecha a refeição mantendo a proposta italiana do início ao fim.

Drinques e ritmo de casa cheia

O bar tem papel importante na dinâmica da casa. A carta de coquetéis acompanha o clima italiano com releituras e combinações mais frescas, sem exageros. É o tipo de endereço em que o tempo desacelera naturalmente — seja para um drinque no fim da tarde ou para prolongar a noite.

Cidade Matarazzo: um dos projetos mais ambiciosos de São Paulo

Instalado no antigo Complexo Hospitalar Umberto I, o espaço hoje conhecido como Cidade Matarazzo foi inaugurado em 2022 como um dos maiores projetos de regeneração urbana do país. São mais de 30 mil m² que combinam edifícios históricos restaurados e novas construções, em um conjunto que reúne hotel, residências, espaços culturais e gastronomia. Idealizado pelo empresário francês Alexandre Allard, o projeto parte da preservação da arquitetura original, mas com um olhar contemporâneo de uso — reunindo nomes como Jean Nouvel, Philippe Starck e os irmãos Campana. Hoje, o endereço abriga o Rosewood São Paulo, a Soho House, a Capela Santa Luzia e outros espaços que ajudam a transformar a área em um novo polo de lifestyle na cidade.

Portanto, o Mata Città faz parte de um movimento mais amplo da hospitalidade paulistana, que aposta em espaços híbridos e experiências mais completas. Na cozinha, os chefs Felipe Rodrigues e Thiago Saldiva conduzem o menu com consistência, enquanto o bar é liderado por Gabriel Bressane e Carlos Franco. Ou seja, mais do que um complexo gastronômico, funciona como ponto de encontro — seja para um café durante o dia, um almoço sem pressa ou um jantar que se estende.

End: Rua Itapeva, 569 – Bela Vista – São Paulo

Por Renata Araújo. Abril de 2026.
Fotos: Renata Araújo e Rubens Kato

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