O Emile, restaurante do Hotel Emiliano, em Copacabana, acaba de entrar em uma nova fase sob o comando do chef argentino Bernabé Simón Padrós. Frequento a casa desde a abertura do hotel, em 2016, e voltar agora foi também perceber uma mudança clara na cozinha — mais direta, mais focada no produto e com uma linguagem bem definida. Localizado no térreo e aberto também para não hóspedes, o Emile sempre teve um papel central na experiência do hotel — seja no café da manhã, brunch ou no jantar, onde a proposta de fine dining ganha mais protagonismo.
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Ambiente do restaurante
O ambiente segue a estética elegante e discreta do Hotel Emiliano, com iluminação suave e ritmo mais pausado — um convite para um jantar ou almoço sem pressa. Um detalhe interessante está na apresentação dos pratos, servidos em cerâmicas desenvolvidas por artistas do Brasil e da Argentina, reforçando a conexão entre origem e identidade. A chegada de Bernabé marca um momento de maior definição para o Emile. A proposta ganha clareza e coloca o ingrediente no centro da experiência.
Quem é o chef Bernabé Simón Padrós
Nascido em Salta, na Argentina, Bernabé construiu uma trajetória consistente em cozinhas de referência na América Latina e na Europa. Passou pelo País Basco e integrou restaurantes como Astrid y Gastón e Central, em Lima — este último eleito o melhor do mundo pelo The World’s 50 Best Restaurants em 2023. Trabalhou ao lado de Virgilio Martínez e Pía León, e também participou de projetos no Kjolle, com atuação internacional. Já havia o conhecido antes, em um jantar no Cipriani, quando esteve ao lado de Pía León. Agora, o reencontro acontece em outro contexto — à frente de sua própria cozinha no Rio.
Ingrediente como ponto de partida
A proposta de Bernabé é direta: pratos construídos com poucos elementos, onde o produto aparece com clareza e precisão. Os ingredientes são majoritariamente brasileiros — muitos vindos do próprio estado do Rio — e a técnica aparece como ferramenta para revelar, e não transformar, a essência de cada um. O resultado são pratos concisos, com identidade e equilíbrio. Conversei com o chef durante o jantar e ele comentou que já tinha algum repertório de produtos brasileiros, mas que tem se encantado com o que encontra no Rio. Essa curiosidade se reflete no menu.
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O que provar no novo menu do Emile
O menu propõe uma experiência mais dinâmica, com pratos pensados para compartilhar — uma mudança sutil, mas relevante no formato do jantar. Começamos pelo tiradito de peixe do dia com leite de tigre de yuzu kosho e azeite de coentro: fresco, cítrico e muito preciso. O atum curado com molho de atum e anchovas, gel de limão, batata e alcaparra frita trouxe uma acidez bem construída, com camadas de sabor. O creme de amêndoas com cogumelos em diferentes preparos, cebola e lardo crocante equilibra textura e profundidade, enquanto o brócolis com aspargos e molho de missô se destaca pelo ponto e pelo umami bem marcado.
Nos principais, o peixe do dia na brasa com feijão Santarém e purê de abóbora traduz bem a proposta da casa: produto bem tratado, com técnica na medida. Já o spaghetti de cavaquinha com gengibre segue uma linha mais delicada e equilibrada. Já na ala doce, duas sobremesas que reforçam a identidade do menu: coco, cupuaçu e citron, fresca e levemente ácida, e cacau, café e missô, que traz contraste entre dulçor e profundidade.
Para quem já conhece o restaurante, é uma mudança perceptível. Para quem ainda não foi, talvez seja o melhor momento para conhecer.
End: Av. Atlântica, 3804 – Copacabana
Por Renata Araújo. Maio de 2026.
Fotos: Renata Araújo e Divulgação

