As tendências dos vinhos no verão brasileiro

Verão e tendência são duas palavras que caminham juntas. Na estação são lançados produtos e acontecem festas e eventos que marcam os próximos meses do ano. No mundo do vinho não é diferente, e podemos notar alguns modismos que prometem não passar. Vieram para ficar, ao que parece. São os vinhos em lata, os rosados em alta vencendo preconceitos, os espumantes brasileiros produzidos através do método ancestral e as sangrias, que se espalham por mesas, prateleiras e balcões, marcando os primeiros meses de 2022, que de certo modo celebram, ainda, a vacinação de grande parte da população, o que estimula nossos brindes presenciais novamente. Aproveite para ler também as dicas de vinhos refrescantes para o verão.

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As tendências dos vinhos no verão: na lata

Quem finalmente ganhou espaço em boas casas do ramo, entre bares, restaurantes e lojas especializadas são os vinhos em lata, cuja produção no Brasil cresceu admiravelmente nos últimos tempos, através do trabalho de pessoas como o sommelier Diego Arrebola, que já eleito por três vezes o melhor sommelier do Brasil. Foi ele o responsável pelo desenvolvimento dos quatro rótulos da Arya Wines – Vinhos Disrruptivos: Prosecco (cujo nome correto da uva hoje é Glera), Branco, Rosé e Tinto, jovens, frescos, leves e frutados, ótimos para festas e eventos envolvendo água e ar livre, como tardes à beira-mar ou junto à piscina. São vinhos bem feitos, que começam a pipocar por aí.

As tendências dos vinhos no verão
Vinhos da Arya

Uma das maiores vinícolas do Brasil, e sempre atenta aos movimentos do mercado, a Casa Valduga não ficaria de fora desta onda. Portanto, também lançou a sua linha de enlatados, o frisante Becas, assim como a Ambev, a maior indústria de cerveja do mundo, Somm e Blasfêmia. Outro produtor que vem se destacando nesta seara é a Vivant. E você, ainda acha que lata não é vasilhame para vinho? Aliás, não vá dizer, também, que rosé não é vinho…

Vinhos da Vivant

Os rosés

– Até pouco tempo, o mercado era 70% de tintos, e 30%, até menos, o resto. Hoje isso mudou muito, e os brancos, espumantes e rosados cresceram bastante, e já são 50% das vendas no Brasil. É o consumidor mais maduro – conta o consultor Paulo Nicolay, responsável pelas cartas de vinho de vários restaurantes do Rio.

Exemplo disso é a Catena Zapata, uma das principais vinícolas do mundo, ícone da enologia argentina. Em 2021 eles lançaram pela primeira vez, em seus 120 anos de História (a bodega em Mendoza foi fundada em 1902), um vinho rosado. – Foi um pedido do próprio Ciro Lilla, o sócio da importadora, a Mistral, a Nicolás Catena Zapata – conta o maitre Danilo Machado Melo, da Churrascaria Palace, que recebeu o primeiro lote deste vinho, no segundo semestre do ano passado. Muito bom, por sinal.

De fato, uma harmonização certeira!

Espumantes Pét-Nat

Olhando as cartas dos restaurantes mais descolados da cidade, como, por exemplo, o Sult e o Marchezinho, em Botafogo, nós notamos uma outra tendência, que não acontece só no Brasil, mas no mundo. O crescimento da produção dos vinhos espumantes chamados Pét-Nat, abreviação de “pétillant naturel”, ou seja, “efervescente natural”. Já são dezenas de produtores, quase sempre pequenos, como Boroto, Mincarone e Vivente, todos gaúchos. Mas, pergunta se a Casa Valduga já lançou o seu? Claro que sim. E logo você verá numa prateleira perto de você.

Os espumantes Pét-Nat

As sangrias

Além disso, com a coquetelaria em alta, outro fenômeno etílico-cultural se propaga pelos bares e restaurantes: as sangrias, clericots, tintos de verano e outros nomes que se queira dar a drinques feitos com vinho, refrigerante (ou água com gás), frutas e eventualmente algum licor ou destilados, além de ervas aromáticas. Se você ainda torcer o nariz para eles, saiba que o enólogo Adolfo Lona, um dos maiores nomes do vinho do Brasil, adora tomar seu vinho “batizado”, hábito que adquiriu em sua Argentina natal, onde a bebida mesclada é um imenso sucesso, sobretudo entre os jovens, e no verão. Então, tá servido?

Por Bruno Agostini. Fevereiro 2022.

Fotos: Bruno Agostini, Duda Vétere e Divulgação

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