Eles estão na moda, e ainda mais nesta época do ano, quando o calor sugere vinhos mais leves e refrescantes, quem sabe com umas borbulhas. São a bola da vez por vários motivos. Trata-se de um estilo antigo de se fazer vinho, que vem sendo redescoberto e retrabalhado por enólogos do mundo inteiro, com destaque para a produção nacional. É uma tendência, moderna e até ousada, apesar deste espumante de discreta pérlage ser obtido através de um método de vinificação chamado ancestral. Outra tendência atual é fazer vinhos olhando para trás, usando processos e equipamentos que já não eram usados na enologia. Na primeira coluna Enoteca YMG de 2022, você vai saber tudo sobre os espumantes Pét-Nat! Aproveite para ler também nossas dicas de vinhos refrescantes para o verão.

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Os espumantes Pét-Nat

Além disso, eles têm aquelas agulhinhas típicas dos vinhos levemente frisantes, que deixam tudo mais alegre. São menos alcoólicos, coisa que o mercado anda querendo, como um todo. E suas borbulhas são menos abundantes. Para completar, todo mundo que surfa nesta onda, e não é pouca gente, não, trabalha com vinificação natural, de mínima intervenção, através ainda do cultivo de vinhedos biodinâmicos etc (pelo menos os que conheço). Também não precisam de sulfitos, o que também lhes tornam mais atraentes. É muita tendência junta! Sem contar que Pét-Nat é um nome bem simpático também. Apesar do pouco gás que contém, os Pét-Nat têm tudo para estourar no Brasil nos próximos meses.  

Dizer que elas estão em toda a parte e que este é o verão dos Pét-Nat seria um certo exagero.

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Saiba Mais

Vinhas do Tempo

Mas, em primeiro lugar, o que é afinal Pét-Nat?

É uma abreviação do termo francês “pétillant naturel”, ou seja, “espumante natural”. Isso significa tecnicamente que o vinho sofreu apenas uma única fermentação, dentro da própria garrafa. Sem que tenham sido tiradas lá de dentro as suas leveduras mortas, as borras, como são chamadas. Na linha do tempo da enologia europeia, este segundo processo é mais jovem, desenvolvido na região de Champanhe, daí o nome. Já os espumantes de método ancestral teriam sido criados na região de Limoux, também na França, (ainda hoje tradicional zona produtora de espumantes), lá por volta de mil quinhentos e alguma coisa.

Na França e na Itália, apesar de sempre muito raros de se encontrar, não mais hoje em dia, ainda havia alguns produtores que engarrafavam os seus espumantes de método ancestral, mas eram mesmo raríssimos. Não são todas as garrafas assim, mas quase sempre elas são vedadas com tampinhas de metal, como os de cervejas e refrigerantes. Mas algumas usam a rolha cogumelo com a gaiola de arame, como, por exemplo, a brasileira Vita Eterna, com seu simpático rótulo. Aliás, outra característica desse estilo de vinhos são os desenhos e fotos graciosos e originais que estampam as garrafas. Isso quando não são escritas a giz mesmo ou pintadas a mão.

Vivente

Porém, por conta de todas aquelas características destacadas anteriormente, os Pét-Nat só começaram a ganhar visibilidade a partir dos anos 1990, foram se espalhando por outras regiões a partir do início deste século até se consolidarem com força como tendência de uns anos para cá. E o Brasil aderiu, assim como EUA, Austrália, Uruguai e Espanha, outros países com vários produtores de destaque investindo no estilo, quase sempre gente jovem, descolada.

O Pét-Nat no Brasil

O Brasil gostou e aderiu como consumidor e produtor destes vinhos, que têm tudo a ver com o nosso clima e com nosso astral, naturalmente descontraído como eles. Há pelo menos três produtores brasileiros que viraram referência no assunto, com seus vinhos perfumados, leves e delicados: Vinhas do Tempo , Vivente e Mincarone, trio de vinícolas de garagem do Rio Grande do Sul.

A Vinhas do Tempo, de Daniel Lopes, é pioneira na produção de Pét-Nat no Brasil, que em 2011 começou a suas vinificações experimentais. Eles têm talvez o rótulo mais famoso da categoria, o Petulante Natural (tem branco de Chardonnay e rosé de Pinot Noir). Além da referência ao estilo do vinho, também brinca com o próprio modo de ser dos vinhateiros da categoria, independentes, livres das amarras do mercado e descontraídos. É viver, trabalhar e apresentar seus vinhos de bermuda e camiseta, nada de terno e gravata, como é comum no mundo desta bebida.

A Vivente já está vendendo a safra 2021 do seu Cabernet Franc rosé, disponível no site da vinícola, assim como outros três rótulos, esses de 2020: o corte de Pinot Noir e Chardonnay, rosé; o Moscato com Chardonnay e o Pinot Noir tinto (sim, existem espumantes tintos).

Pinot Noir e Chardonnay

Pét-Nat no Rio

A Cantina Mincarone também vem ganhando destaque porque, além de vinhos deliciosos, com rótulos bonitos – assim como os da Vivente – produz uma variedade grande de vinhos dentro deste estilo.. Responsável por isso, o dedicado Caio Mincarone esteve no Rio no final do ano passado para uma apresentação no Sult. Aliás, é um dos restaurantes da cidade que sempre têm Pét-Nat na carta. No momento são quatro: dois da Vivente, um da Mincarone e outro representante do Uruguai, da lavra do surfista Pablo Fallabrino, um artista do vinho, que se apresenta com o seu Alma Surfer 2020, mistura de Traminer com Chardonnay.

Ele trouxe uma bateria com nada menos que 17 vinhos diferentes, com produções mínimas, que variam de 150 a 200 garrafas, em média, chegando, no máximo, a 400. Nem tudo era Pét-Nat, mas uns dez deles. No Sult no momento você pode provar o corte de Pinot Noir, Chardonnay e Riesling Itálico, as três variedades mais importantes do Brasil quando se fala em espumantes de qualidade.

Degustação no Sult

Na degustação, bem concorrida, participaram figuras como, por exemplo, Lais Aoki, do Oteque, Maíra Freire, do Lasai, Pedro Hermeto, do Aprazível, o francês Dominic Parry, da Winehouse, quatro lugares que sempre apostaram em vinhos naturais e Pét-Nat. Além de Nelson Soares, do Sult, e Alain Inglês, da importadora Gavinho, que só trabalha com esses vinhos.

”No momento o meu estoque de Pét-Nat tenho apenas a reserva técnica. Mas um container acaba de chegar ao Brasil e em alguns dias esses vinhos já estarão de volta ao mercado”, conta Alain, que vende para lugares como Sult, Oteque e a Fabro – padaria na Barra que tem seleção criteriosa de vinhos. Ainda este mês, segundo Gabriel Cavalcante, um dos sócios, vai abrir a nova unidade, muito maior, com um belo bar de vinhos onde não vão faltar. Nem mesmo no inverno, mas muito mais no verão carioca, alguns Pét-Nats. De fato, você precisa provar.

Por Bruno Agostini. Janeiro de 2022.
Fotos: Bruno Agostini e Divulgação

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