Com estrela Michelin e na lista do 50 Best: uma experiência sensorial, musical e imersiva
Em uma viagem exclusiva para jornalistas, tive a honra de ser convidada por Gaggan Anand para viver sua mais recente proposta criativa em Bangkok. À frente do restaurante número 1 da Ásia, Gaggan entrega muito mais do que um jantar: ele orquestra uma experiência provocativa, sensorial e, acima de tudo, profundamente emotiva. Embora o restaurante tenha sido inaugurado em 2019, o conceito está sempre em evolução, e cada noite reflete sua fase atual como artista da gastronomia. Conhecido por revolucionar a culinária asiática, ele propõe uma leitura ousada sobre tradição e identidade. Saí transformada — e ainda mais convencida de que a gastronomia pode ser vivida de diversas formas. É essencial estarmos abertos a novas experiências, culturas e inovações sem preconceitos ou estereótipos.
Aliás, se você está planejando sua próxima viagem não esqueça de reservar com o Booking, nosso parceiro! Não muda nada e desta maneira você nos ajuda a monetizar nosso trabalho.
Quem é Gaggan Anand: rebelião com propósito
Gaggan nasceu em Kolkata, Índia, e tem origem tâmil e punjabí, mas seu caminho começou na música — tocava bateria em bandas de rock. Ainda jovem, foi inspirado pela avó a mergulhar nos sabores tradicionais da Índia. A cozinha veio depois, com formação técnica na IHMCT e passagem pelo grupo Taj. Mas foi em Bangkok, para onde se mudou em 2007, que encontrou liberdade criativa. Após estágio no lendário elBulli, de Ferran Adrià, passou a desenvolver a chamada progressive Indian cuisine, onde tradição e vanguarda se encontram. Seu repertório mistura referências de street food com técnicas contemporâneas e uma visão autoral que o colocou entre os chefs mais inovadores do mundo. Antes mesmo do restaurante Gaggan, abriu um espaço especializado em consultoria de sabores — até perceber que sua força criativa pedia um palco próprio.
Com alma de artista, Gaggan transita entre a irreverência e a precisão. Sua cozinha expressa emoção, rebeldia e generosidade — muitas vezes com pegada teatral, mas sempre com embasamento técnico. A música continua presente: os menus de 25 etapas são pensados como composições, com ritmo, clímax e encerramento afetivo. Como ele mesmo diz, “cozinhar é uma forma de contar histórias que você sente, não só saboreia”.
Restaurante número 1 da Ásia
Desde sua inauguração original em 2010, o restaurante Gaggan conquistou a cena internacional. Foi eleito quatro vezes consecutivas o melhor restaurante da Ásia pela lista Asia’s 50 Best Restaurants e chegou ao 4º lugar no ranking mundial em 2019. Em 2024, recebeu sua primeira estrela Michelin — e agora, em 2025, manteve o reconhecimento no guia mais recente, reafirmando seu padrão excepcional.
O restaurante Gaggan Anand: uma reinvenção autoral
Após rupturas com sócios, Gaggan reabriu seu restaurante em 2019 com formato mais pessoal, mais performático. A cozinha aberta lembra um palco de teatro, onde a equipe atua como uma orquestra afinada. A luz é baixa, o ambiente é envolvente e intimista. Não há flashes permitidos: tudo é pensado para que os sentidos estejam presentes. O público assiste, participa e interage. O jantar acontece em torno de um balcão em forma de L, com capacidade para apenas 14 pessoas. É uma verdadeira chef’s table, onde cada lugar tem visão direta da ação — e, em diversos momentos, são os próprios cozinheiros que apresentam os pratos. Gaggan deixa espaço para sua equipe brilhar, e o clima é quase de bastidores de um ateliê criativo.
Cinco movimentos, 22 passos, uma viagem pelos sentidos e pelas culturas – Restaurante número 1 da Ásia
Na noite em que estive lá, foram 22 etapas divididas em cinco movimentos — uma roteiro que atravessa os países que moldaram a trajetória do chef: Índia, Tailândia, Japão e França. Cada movimento traz uma técnica dominante: fermentações profundas, texturas que se desfazem, fogo indiano, acidez em camadas, precisão japonesa. Os snacks iniciais já exigem presença total. Nada ali é decorativo: cada mordida é narrativa.
O menu muda com frequência, mas o que permanece é a capacidade de surpreender. No nosso jantar, por exemplo, houve um momento que emocionou todo o ambiente: a versão “Gakikazuza” — um prato-homenagem ao Brasil, com trilha sonora de Cazuza e clima de casa. Por alguns minutos, o restaurante se transformou numa pequena filial do Rio em plena Bangkok.
Tudo termina de forma surpreendentemente afetiva: com o prato “Gaggan’s Mother Chicken Rice” — arroz com frango, servido como última etapa, remetendo à simplicidade das origens e à memória afetiva. É um gesto de acolhimento após uma viagem intensa.
Música como ingrediente: quando a trilha sonora emociona
A seleção musical do restaurante número 1 da Ásia é parte do conceito. Queen, Beatles, Nirvana, Bon Jovi, Cazuza… A trilha sonora não embala a noite: ela guia a experiência. Em determinado momento, todos no salão cantam Hey Jude, e batem palmas sincronizadas junto com a equipe. Uma cena potente, inesperada, que me levou às lágrimas. A comida tocava o paladar; a música, a alma.
Harmonização como narrativa líquida
A harmonização no restaurante numero 1 da Ásia é parte central do jantar. Ao longo dos passos, são servidos vinhos, saquês e bebidas naturais que se conectam aos sabores e provocam o paladar de forma inesperada. Nada é óbvio: o líquido acompanha a narrativa sólida e amplia a percepção sensorial a cada novo prato.
Três países (e um toque francês), uma identidade culinária
O jantar traduz a trajetória de Gaggan:
- Da Índia, vem a intensidade, as memórias e o uso expressivo das especiarias.
- Da Tailândia, o país que o acolheu, vem o frescor, a irreverência e o contexto cultural.
- Do Japão, a influência da técnica, do detalhe e do silêncio eloquente.
- E da França, o rigor estético e a sofisticação da alta gastronomia contemporânea.
Um jantar que não se explica: se vive – Restaurante número 1 da Ásia
Mais do que uma refeição, o jantar no Gaggan certamente é um manifesto sensorial. Humor, surpresa, memória, provocação. Uma história contada em etapas, onde cada ingrediente tem intenção. Saí com a sensação de que a cozinha pode ser muito mais do que sabor: pode ser linguagem, arte, emoção.
Ms.Maria & Mr. Singh: o lado mexicano de Gaggan
No andar superior do mesmo prédio funciona o Ms.Maria & Mr. Singh, restaurante mexicano de alma livre, que mistura picância, afeto e irreverência. Com atmosfera animada e pratos autorais, o espaço apresenta uma faceta mais descontraída de Gaggan — sem perder a excelência nem o senso de humor que marca sua cozinha. Ms.Maria & Mr. Singh nasceu da ficção de um romance entre uma moça mexicana e um rapaz indiano. O resultado? Uma casa vibrante, onde a fusão das cozinhas do México e da Índia ganha forma em pratos criativos, cheios de cor, afeto e personalidade. Ou seja, uma amostra de como o chef expande sua criatividade por meio de referências multiculturais e despojadas.
Na chamada “curry house moderna”, os chefs Hernán Crispín Villalva e Roshan Kumar desenvolvem um menu que eles batizaram de Culinária Fantástica. A proposta vai além da combinação de temperos: parte de pratos afetivos, caseiros, e os reinventa com humor e irreverência, como se contassem a jornada de um casal apaixonado por sabores. Não à toa, o restaurante ocupa a 99ª posição na lista estendida do Asia’s 50 Best Restaurants. Entre tacos, curries, quesadillas e chicken tikka masala com sotaque latino, o menu é uma deliciosa brincadeira de contrastes. O ambiente segue a mesma linha: descolado, alto astral, com trilha sonora animada e serviço descontraído, mas preciso.
Aliás, aproveite para ler também:
- 10 passeios imperdíveis em Bangkok
- 10 dicas de passeios na Tailândia
- Mandarin Oriental Bangkok – um dos melhores hotéis do mundo
- Siam Kempinski: hotel de luxo em Bangkok tem localização imbatível e gastronomia estrelada no coração da capital tailandesa
- As 10 marcas de hotéis de luxo mais famosas do mundo
Gaggan at Louis Vuitton: onde moda encontra a gastronomia
Enquanto isso, o Gaggan at Louis Vuitton é uma parceria inédita com a maison francesa. Localizado no segundo andar do LV The Place Bangkok, conceito inovador da maison, o restaurante une moda, design e alta gastronomia em uma experiência imersiva e exclusiva. Com arquitetura assinada pelo premiado escritório OMA, o espaço propõe uma imersão nos pilares da marca: savoir-faire, inovação e, claro, a arte de viajar. Ali, tudo é pensado como se fosse uma coleção de alta-costura: do mobiliário que remete às icônicas trunks da Louis Vuitton aos menus degustativos de 8 a 17 etapas, com apresentações dramáticas e ingredientes locais. A ideia é fundir o universo da viagem — essencial tanto à marca quanto ao chef — em pratos que contam histórias de deslocamento e identidade cultural.
Também fui convidada para conhecer esse espaço, e pude vivenciar de perto essa interseção entre luxo silencioso, artesania e cozinha de vanguarda. A experiência conversa com a linguagem da alta moda: sofisticada, precisa, cheia de significado. E como toda criação da Louis Vuitton, carrega a essência da exclusividade.
Almoço na casa de Gaggan: privilégio raro
Além disso, como parte dessa experiência para jornalistas internacionais, tivemos a oportunidade de almoçar na casa do próprio Gaggan. Portanto, um momento íntimo e memorável, cercado por outros chefs premiados, com pratos preparados de forma generosa e espontânea. Um gesto raro que diz muito sobre a paixão do chef por conectar pessoas através da comida.
Alta gastronomia em Bangkok: restaurante Gaggan é experiência imersiva que mistura música, cultura e emoção
Certamente, mais do que conquistar prêmios e posições em rankings, Gaggan Anand transformou a forma como a gastronomia é percebida na Tailândia. Ao unir técnica e emoção, provocação e precisão, ele não apenas colocou Bangkok no mapa mundial da alta cozinha — ele redesenhou esse mapa com identidade, coragem e afeto. Só me resta agradecer a oportunidade já planejar a próxima viagem à Ásia.
Por Renata Araújo. Dezembro 2025
Fotos: Renata Araújo e Divulgação

