Gonza: novo restaurante no Horto aposta na cozinha argentina com sotaque carioca

Mais do que uma abertura promissora, o Gonza já nasce com alma. No bucólico bairro do Horto, que vem se consolidando como um interessante polo-gastronômico, o novo restaurante do chef argentino Gonzalo Vidal virou ponto de encontro de quem busca sabor com identidade, e sem afetação. Estivemos por lá e contamos como foi a experiência completa: do ambiente acolhedor à cozinha aberta, passando por pratos diretos, afetivos e autorais. O cardápio combina referências dos bodegones argentinos com ingredientes brasileiros, executada com técnica, afeto e personalidade. O novo restaurante no Horto ocupa um charmoso e restaurado sobrado, enquanto a decoração mistura objetos afetivos, fotos de família e símbolos que remetem à cidade natal do chef, Santa Fé.

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O chef e a proposta do Gonza

Com 23 anos de trajetória, Gonzalo passou por casas como Quadrucci, Cigalon e o 74 Restaurant, em Búzios, onde foi indicado como chef revelação pela revista Prazeres da Mesa. Mas foi no Gonza que ele encontrou o espaço ideal para traduzir sua culinária: uma mistura do clássico bodegón argentino com a informalidade carioca. “É uma cozinha argentina bagunçada com sotaque do Rio”, define ele. O conceito se reflete também no atendimento: informal, mas atento. A cozinha é aberta e tudo acontece à vista, numa dinâmica que aproxima quem cozinha de quem está à mesa.

Um sobrado cheio de memórias no Horto

O Gonza ocupa um sobrado reformado na Rua Pacheco Leão, com piso de madeira e luz natural entrando aos montes. Logo na chegada, já se sente que não é um restaurante qualquer: fotos de família, louças afetivas e símbolos da cidade natal do chef, Santa Fé, compõem a decoração, feita por ele mesmo. O Gonza, no Horto, carrega memória, afeto e um charme sem afetação, exatamente como os pratos que saem da cozinha.

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Menu do novo restaurante no Horto: tradição com personalidade

A proposta do Gonza é clara: servir pratos diretos, cheios de sabor e bem executados, com produtos frescos e muita personalidade. Para começar, o destaque vai para a tábua de charcutaria artesanal, feita na própria câmara de maturação da casa, um verdadeiro orgulho do chef, craque na charcutaria. Além disso, há a suculenta e bem temperada empanada argentina de carne. Outra boa pedida entre as entradas são os crudos, como, por exemplo, o “Pé na Areia” — peixe fresco com ponzu de mate leão, biscoito globo e vinagrete de milho verde na brasa, que traz um toque bem carioca ao cardápio.

Vale ainda experimentar a Tortilla de batatas cremosa e o Sando de Pastrami de cupim, que vem com queijo meia cura, picles e mostarda de Dijon no pão brioche. Um verdadeiro clássico repaginado, cheio de personalidade.

Entre os principais, o bife à milanesa com purê de batata já se tornou o prato mais pedido. Mas há espaço para sabores mais ousados, como o arroz estilo espanhol com camarões, creme de ameixa e coentro e o polvo grelhado com cavatellis à bolognesa e demi-glace. Os carnívoros também podem optar pelo bife de chorizo na brasa, com glace de chimichurri, batata ao murro e hollandaise.

Para adoçar, o cardápio traz sobremesas criativas e bem executadas. A O Gringo e a Gata, uma releitura divertida de queijo com goiabada, resume bem o espírito do novo restaurante do Horto. Uma mistura de Brasil e Argentina, cheia de afeto e humor. Também vale provar o Alfajor desconstruído com sorvete de doce de leite e a versão autoral de doce de leite com flor de sal. Ah, outra boa sugestão é a Torta Rogel, uma sobremesa típica da Argentina, feita com massa crocante, (muito) doce de leite e merengue.

Carta de drinques e bar autoral

O bar do Gonza tem personalidade própria e complementa bem a experiência. Sob o comando do mixologista Sebastian Alarcón, a carta traz drinques autorais com ingredientes brasileiros, técnicas contemporâneas e combinações surpreendentes. O destaque é o gin da casa, o Leão do Horto, produzido ali mesmo com erva-mate. Certamente um diferencial que poucos lugares no Rio podem oferecer. A coquetelaria também conta com dois tipos de vermute produzidos em parceria com Juani Saccomano, maturados em barris de madeira: o Viejo Isaías Rosso e o Rosé, com notas mais delicadas. São boas pedidas para começar ou encerrar a refeição. Além disso, há também cervejas e carta de vinhos.

De fato, o Gonza é mais do que um novo restaurante no Horto. É um espaço onde sabor, afeto e identidade se encontram num ambiente que acolhe sem parecer montado. Ideal para almoços descontraídos, jantares a dois ou encontros de quem aprecia boa comida!

Não aceita reservas — a dica é chegar cedo ou programar uma espera (que costuma compensar!)

Endereço: Rua Pacheco Leão, 868 – Horto

Por Renata Araújo. Dezembro de 2025.
Fotos: Renata Araújo e Divulgação.

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