Fomos conhecer o recém-inaugurado 111 Music Bar, em Copacabana, e desde a chegada já entendemos que se tratava de uma proposta diferente. No elevador, um aviso sutil dá o tom: “Não perturbe a música”. Ao sair, o bar se revela como um refúgio elegante, daqueles que nos tiram da lógica acelerada da cidade. Idealizado por Menandro Rodrigues, também responsável pelo premiado Haru e pelo UMAI Omakase que ficam logo abaixo, no segundo andar, o 111 é inspirado nos listening bars japoneses e aposta em uma imersão sonora rara. Com um sistema de som Genelec — referência mundial em qualidade —, acústica pensada para escuta tridimensional e repertório exclusivamente em vinil, neste novo bar em Copacabana, não há pista de dança. Por aqui, o convite é outro: sentar, ouvir, beber e comer com atenção, com uma cozinha de inspiração japonesa que valoriza ingredientes brasileiros e uma carta de drinques autorais criativos.
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Novo bar em Copacabana com atmosfera intimista e estética japonesa
O projeto arquitetônico do 111 Music Bar é assinado por Roberto Kubota, também responsável pelos ambientes do Haru e do UMAI. O ambiente é intimista e acolhedor, com mesas baixas, sofás confortáveis e iluminação suave. Tudo ali foi pensado para favorecer a escuta, mas também o estar. A estética remete à elegância minimalista japonesa, com painéis geométricos e tons terrosos que harmonizam com o ritmo mais desacelerado da casa.
A curadoria musical, sob responsabilidade de Danny Dee, propõe uma verdadeira imersão em vinil. As sessões passeiam por jazz, soul, MPB e groove, com raridades como Brazilian Knights and a Lady, gravado no Japão por Djavan, Ivan Lins e Patti Austin. Em conversa com Menandro, ele nos contou que a mesa central, bem em frente aos DJ’s, é o melhor ponto da casa para sentir o som em sua plenitude. Testamos e confirmamos.
Gastronomia com identidade e criatividade
Assim como nos outros projetos de Menandro, o 111 trabalha com espécies da costa brasileira em destaque, sempre com foco em frescor, sazonalidade e respeito ao ingrediente. A cozinha, comandada em parceria com o chef Thiago Ferrer, reflete o mesmo rigor e originalidade do restante da casa. O menu é dividido em duas propostas complementares. Uma parte mais criativa, com entradas autorais e sabores inusitados, e outra mais tradicional, com sushis, sashimis e crudos preparados com apuro técnico. Entre as criações da casa, por exemplo, estão o Edamame com milho doce e manteiga artesanal da Manteigaria Nacional — petisco delicado que une Brasil e Japão — e o Crock Fish, bolinho crocante de peixe servido com tártaro de sunomono. O Tuna Crudo, com molho romesco, tucupi com dashi e azeite verde defumado, traz uma fusão de sabores pouco óbvia, mas perfeitamente equilibrada.
Menu do 111 Music Bar em Copacabana
Outros destaques do cardápio são as Vieiras de Hokkaido com pólen de jataí, as Ostras nativas no vapor e o surpreendente Missô Capuccino , um caldo cremoso de missô com espuma de shiitake, servido em uma xícara de cerâmica. A receita é uma releitura inspirada no clássico caldo de shitake do chef Claude Troisgros, e traz um sabor profundo, com notas terrosas e textura delicada.
Já para quem não dispensa os clássicos, o Sashimi Omakase, com 30 peças entre atum brasileiro, carapau, polvo, vieiras com caviar mujol e usuzukuri de peixe local, é uma imersão no frescor e na técnica japonesa. Além disso, algumas sugestões ainda ficaram para uma próxima visita, como o Fish Burger Tempura, com cheddar inglês e pão brioche tostado, e a criativa Barriga de Porco com sorvete de milho. Ou seja, motivos não faltam para voltar.
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Coquetelaria autoral e sabores que equilibram Brasil e Japão
A carta de drinques é uma atração à parte. Assinada por Leonardo Santos, chefe de bar da casa, combina técnica, brasilidade e ousadia. Entre os destaques, o Dirty Bamboo (jerez, vermute seco, saquê, bacuri e bitter de laranja) e o surpreendente Pindorama Punch (com cachaça Soledade Pura, maracujá, camomila e toque de missô e dashi) mostram a potência criativa da coquetelaria nipo-brasileira. Além disso, a carta inclui ainda versões autorais de clássicos, uma seleção sofisticada de saquês e uísques japoneses, e opções não alcoólicas bem elaboradas, como, por exemplo, o Lychee Groove e o Tomato Bop.
Uma nova cena para Copacabana
Com atmosfera intimista, som impecável e coquetelaria criativa, o 111 Music Bar consegue algo raro: reunir excelência técnica, identidade autoral e um ritmo desacelerado. Tudo isso em plena Copacabana. Portanto, mais do que um novo bar na cidade, é um lugar para estar. E ouvir. Uma experiência sensorial que conversa com os sentidos, sem pressa e com propósito. E que certamente já entrou na nossa lista de favoritos no Rio.
End: R. Raimundo Corrêa, 10 – 3º andar, Copacabana
Por Duda Vétere. Dezembro de 2025.
Fotos: Duda Vétere e Rodrigo Azevedo

