Na coluna You Must See! desta semana, Guilherme Scarpa fala sobre a estreia do novo filme de Vincent Cassel. “Mais que Especiais” aborda a questão do autismo e chega aos cinemas. Além disso, de quebra, ele lista outras produções sobre inclusão imperdíveis.
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A estreia do novo filme de Vincent Cassel
Nesses tempos de intensa intolerância, cancelamentos, caça às bruxas e extremismos, é sempre um bálsamo quando um filme chega para combater todas essas questões com uma tacada só. Assim é “Mais que especiais”, o novo filme de Vincent Cassel, que leva a direção da dupla Olivier Nakache e Éric Toledano. A produção encerrou o Festival de Cannes em 2019, teve exibições no Festival Varilux e também no Festival de Cinema Judaico. Agora, entra em cartaz com distribuição da California Filmes.
O novo filme de Vincent Cassel
O longa conta a história de dois amigos – detalhe: um é muçulmano (Reda Kateb) e o outro, judeu (Vincent Cassel) -, que dedicam suas vidas a ajudar casos dados como impossíveis de autismo. Sem um pingo de pieguismo, a abordagem do roteiro é extremamente delicada. Entretanto, ela põe em xeque a forma totalmente desumana com a qual diversas instituições lidam com as pessoas que têm autismo.

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Então, ambientada em Paris, a trama faz um grande alerta contra o isolamento que, normalmente, é recomendado por médicos para casos de autismo em que a criança ou o adolescente apresenta comportamento violento ou tem imensa dificuldade de responder a estímulos de realidade.
Portanto, esses pacientes, impossíveis de serem cuidados pelos pais, parentes e muitas vezes por instituições especializadas, vão parar no centro de tratamento comandado por Bruno. Por isso, o personagem de Vincent Cassel, passa a ser perseguido por autoridades.
Ele não tem uma clínica oficializada, entretanto, é lá que verdadeiros milagres acontecem. Com boa vontade, amor, paciência e sem julgamentos, um mundo melhor se constrói na tela, inspira e you must see!
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Sendo assim, listo aqui outros quatro filmes sobre inclusão imperdíveis. Eles tratam também sem pieguice, com leveza e humanidade, outras questões.
Filmes sobre inclusão
Colegas (Netflix)
O assunto aqui é a Síndrome de Down. Então, com bastante humor e graça, Marcelo Galvão conduz a direção do longa estrelado por Breno Viola, que também é exímio judoca. Melhor Filme no Festival de Gramado de 2012, a produção inspirada em road movies como “Thelma e Louise” e “Pequena Miss Sunshine” narra a fuga de três amigos do instituto para pessoas com Síndrome de Down em que vivem. Então, eles roubam o carro do jardineiro, vivido por Lima Duarte, e partem para a estrada, causando, assim, as maiores confusões. Pura magia.

Mentes que Brilham (Amazon Prime/ MGM Channel)
Revi dias atrás o primeiro longa dirigido por Jodie Foster, de 1991, mesmo ano em que a atriz estrelou o premiado “O Silêncio dos Inocentes”. Na trama, ela interpreta a mãe de um menino superdotado, considerado genial aos 7 anos. Um pouco desajeitada, mas muito amorosa, a personagem trata o menino de forma convencional, às vezes ignorando o motivo que faz dele muito especial. No entanto, com a dificuldade do filho em fazer amigos, ela aceita enviá-lo para uma experiência com outras crianças e adolescentes com intelecto bem mais desenvolvido que o nosso. Extremamente tocante, leve, para refletir.

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Uma Lição de Amor (Globoplay)
Todo embalado por versões de músicas dos Beatles – eu tenho o CD até hoje -, o longa estrelado por Sean Penn conta a história de um homem que tem deficiência intelectual. Ele é pai da menina Lucy, de 7 anos, e passa a ser confrontado por uma assistente social, papel de Michelle Pfeiffer, que o considera incapaz de cuidar dela. Então, a partir daí, muitos lenços de papel são recomendados para auxiliar na projeção, que cai, sim, no melodrama, nesta abordagem da diretora Jessie Nelson.

Extraordinário (Telecine)
Auggie (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformidade facial e precisou passar por 27 cirurgias plásticas. Por fim, aos 10 anos, ele começa a frequentar uma escola tradicional e conviver com crianças da sua idade. Sendo assim, enfrenta bullying e desprezo dos colegas em função de sua timidez e aparência. Essa batalha, que tira o sono de seus pais, os ótimos Owen Wilson e Julia Roberts, começa a mudar graças ao carisma, inteligência e doçura do menino, que passa por uma grande transformação, agora interna. Sem dúvida, é lindo demais o filme dirigido por Stephen Chbosky.

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Texto por Guilherme Scarpa. Fevereiro 2021.
Fotos por Carole Bethuel e reprodução.

