Chego com um pouco de atraso, confesso, para falar na coluna desta semana sobre “O Gambito da Rainha”, série em cartaz há quase um mês na Netflix, e que, realmente, se você ainda não assistiu – eu só consegui na semana passada -, you must see! Para recompensar essa minha falha de tempo e quase de caráter, trago aqui, então, um papo com o ator brasileiro Tatsu Carvalho. Ele me contou por telefone histórias sobre os bastidores desse grande sucesso. E, como eu não me aguento, inspirado pela saga da personagem de Anya Taylor-Joy, vou dar dicas de outras produções que trazem grandes personagens femininas em processos de superação. Aliás, aproveite para ler também a estreia de Marina Lima no cinema, filmes imperdíveis com cantoras e o novo filme de Daniel Filho.
Tatsu Carvalho: ator brasileiro em “O Gambito da Rainha”
Um papo com Tatsu Carvalho
Rosto conhecido de produções como “Sob Pressão” (Globoplay), “Arcanjo Renegado” (Globoplay) e a atual temporada de “Detetives do Prédio Azul” (Gloob), Tatsu Carvalho, desde 2017, pertence a uma agência de talentos inglesa e, além da participação especial como um médico em “O Gambito da Rainha”, ele também estará na série “It´s a Sin“, ao lado de ninguém menos do que Neil Patrick Harris, ano que vem, na coprodução da HBO com o Channel 4.
O ator brasileiro preparou uma selfie-tape que foi enviada por sua agência para a produção de elenco de “O Gambito da Rainha” ainda em 2018. Aprovado, ele teve um encontro marcado com um dos criadores da série e também diretor, Scott Frank.

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Encontro do ator brasileiro de “O Gambito da Rainha” com o diretor Scott Frank
“Ele queria conhecer todos os atores. O cara já foi indicado ao Oscar (de melhor roteiro adaptado por “Logan”, em 2018) e agiu com muito simpatia. Disse que tinha adorado o meu teste e conversamos por cerca de 10 minutos. Ele quis fazer isso para me dar as boas-vindas, olho no olho. Senti um respeito bacana. Para ele, todo mundo ali era uma peça importante. Realmente, é uma produção muito sofisticada”, conta Tatsu.
Ironicamente, a série que é ambientada em grande parte nos Estados Unidos, foi filmada em diversas locações pela Europa. O ator brasileiro rodou suas cenas em Berlim, na Alemanha, e teve a oportunidade de contracenar com Anya Taylor-Joy, que interpreta a protagonista, Beth Harmon. Ela é uma exímia jogadora de xadrez que sofre com a dependência de remédios e álcool.
“Anya se concentrava bastante antes de gravar. Foi muito simpática comigo, gentil, educada. Fizemos uma foto e foi tudo muito rápido e profissional. Ela é uma ótima atriz”, diz o ator, feliz com o sucesso que tem feito por causa da atração. “Muita gente me marca em posts, amigos comentam, mandam mensagens. E acho que com a pandemia tem ainda mais gente assistindo”, comenta.

Fuga do clichê
O que mais impressiona em “O Gambito da Rainha” – o nome vem de um movimento de peças no xadrez -, além das ótimas atuações do elenco e a direção, é a humanização da dramaturgia para tratar de questões pesadas, como a dependência química, sem recorrer a clichês maniqueístas que costumamos ver na TV e em outras produções de cinema. Beth Harmon é uma garota que fica órfã e se descobre uma virtuosa enxadrista. Junto a isso, é obrigada a tomar pílulas descritas como vitaminas, que lhe tornam prisioneira. Ainda que passe por momentos de embriaguez excessiva e até de autodestruição, ela persegue seu propósito, com acertos e tropeços, como deve ser: joga não só o jogo que ama, mas flui nas partidas da vida. E vou parar por aqui para não começar a dar spoilers, mas que dá vontade de jogar xadrez, isso dá.
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Milagre na Cela 7 (Netflix)
No filme turco de Mehmet Ada Öztekin, uma menina de 6 anos faz de tudo para livrar o pai, que tem uma deficiência mental, da cadeia, quando ele é acusado de um crime que não cometeu. A situação toda poderia cair em uma pieguice sem fim, mas a projeção surpreende pela rica subjetividade dos personagens e as surpresas do roteiro. Mas, sim, deixe a caixa de lenços ao lado.

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A Mulher do Tenente Francês (Amazon Prime – MGM Channel)
Com um atraso imperdoável de quase quatro décadas, assisti, enfim, ao filme que rendeu a Meryl Streep sua primeira indicação ao Oscar de melhor atriz principal só essa semana. Ela e Jeremy Irons são dois atores que estão filmando a história do título, um longa na Inglaterra sobre uma garota “diferentona” da era vitoriana que é considerada prostituta por muitos. Então, o longa com roteiro do incrível Harold Pinter e direção de Karel Reisz tem pegada altamente feminista, impressionante para a época, zero óbvio e é ultra must see!

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Hebe (Globoplay e Telecine)
Até se tornar a maior estrela da televisão brasileira, Hebe Camargo, vivida, então, pela extraordinária Andréa Beltrão – indicada ao Emmy Internacional – no filme de Maurício Farias, roeu muitos ossos, foi maltratada por parentes, enfrentou a fome e diversos preconceitos – a família desmente muitos episódios, inclusive. Particularmente, acho a série mais interessante do que o recorte feito para o filme. Mas, é possível ver nos dois formatos.

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Mulan (Disney +)
Enquanto a versão live action não chega ao Brasil – a previsão de estreia é 4 de dezembro no streaming -, a animação sobre a jovem destemida que se disfarça de homem para poder lutar no exército da China e defender a honra da família está no mais novo e aguardado canal. O Disney + começou a funcionar no último dia 17. Lá, você encontra praticamente TUDO não só do mágico estúdio mas também produções da Marvel, Pixar, National Geographic e do universo de Star Wars.

Texto por Guilherme Scarpa. Novembro 2020.
Fotos Camila Marchon e reprodução

