Um dos destinos turísticos mais procurados por brasileiros e estrangeiros, Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, é famosa por abrigar uma das Sete Maravilhas Mundiais da Natureza: as Cataratas do Iguaçu. Mas quando a dúvida é o que fazer em Foz do Iguaçu, vale saber que o famoso cartão-postal é apenas o começo. A cidade oferece uma variedade de experiências que vão muito além das quedas d’água. Por isso, a minha principal dica é resistir à tentação de encaixar todas as atividades possíveis no roteiro. O fear of missing out pode até bater, mas é melhor selecionar e aproveitar cada atração com calma, em vez de terminar o dia com a sensação de ter corrido e visto muito, mas vivido pouco. Defina sua agenda antes de desembarcar para investir o tempo no que realmente importa: contemplar os cenários naturais, explorar a gastronomia e descobrir a riqueza cultural da região, marcada pela tríplice fronteira e pela presença da segunda maior comunidade árabe do Brasil.
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O que fazer em Foz do Iguaçu
É importante lembrar que embora muito bem servida de operadoras de turismo capacitadas a montar a logística e efetuar os transportes, Foz do Iguaçu tem excelente frota de carros por aplicativo e táxi e que os ingressos para as atrações também estão disponíveis on-line. Ou seja, assim como eu, você pode montar o seu roteiro e fazer os passeios pelo lado brasileiro usando os serviços de aplicativo. Na dúvida sobre o que fazer, o Visit Iguassu – órgão de promoção do destino turístico para lazer e eventos –disponibiliza nos canais digitais um guia para os visitantes, detalhando desde a temperatura média em cada mês do ano como sugestão de roteiro de acordo com o número de dias disponíveis na região. É o ponto de partida mais confiável para conseguir informações para a sua viagem.
Em 2005, visitei Foz do Iguaçu no modo apressado. Fiz uma série de tours e voltei para a casa com a sensação de que não aproveitei a região do jeito certo. Vinte anos depois, constatei que região tem um número ainda maior de atrações. Mas não cedi a tentação e desacelerei bem o passo para cumprir o meu objetivo de estar realmente presente. E adorei o que vivi!
Parque Nacional do Iguaçu
Em 2025, o Parque Nacional do Iguaçu passou a oferecer novas atividades para o público, entre elas, a Ciclovia das Cataratas. Mas, antes, é inevitável falar do deslumbrante conjunto de quedas d’água.
Cataratas do Iguaçu
Se hoje as Cataratas do Iguaçu estão disponíveis para o público em geral, isso se deve ao pai da aviação, Santos Dumont, que tem até uma estátua em sua homenagem no parque. Em visita à região, em 1916, ao saber que as quedas d’água eram propriedade particular, solicitou ao então presidente do estado do Paraná a desapropriação das terras, o que foi feito três meses depois. A trilha pavimentada que leva até as passarelas mais próximas das cachoeiras tem pouco mais de um quilômetro. O conselho é: chegue cedo e percorra sem pressa, apreciando cada trecho da paisagem, que vai ficando mais bonita até o final. Lembre-se, você está em uma das Sete Maravilhas Mundiais da Natureza, a mesma que deixou Santos Dumont encantado. Não é para correr, é para curtir!
Passeio de Bicicleta
O percurso, que conta com quase 12 quilômetros pavimentados, tem início no Centro de Visitantes e leva o ciclista até o início da trilha das cataratas. Se você tem a sua própria bicicleta, basta apresentar o ingresso da entrada do parque. Se não, a saída é usar o serviço de aluguel Bike Iguaçu. Além da bicicleta, o ciclista recebe o capacete de uso obrigatório e, após ouvir as instruções, está liberado para pedalar. Para quem está sem preparo físico, é possível devolver a bicicleta em outros pontos e seguir o passeio no ônibus do próprio parque. Várias partes do percurso são feitas inteiramente dentro da Mata Atlântica, tornando o passeio por esse destino turístico ainda mais inesquecível para os fãs de atividades físicas.
Itaipu
Ícone na história da energia global, a usina de Itaipu fica na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Há várias formas de se visitar esse colosso da engenharia, uma delas é o tour Itaipu Especial, com 2h30 de duração. Em ônibus abertos nas laterais, é possível conhecer a história da construção da usina, enquanto se trafega pelos principais pontos do empreendimento, incluindo o topo da barragem e os mirantes. Na área interna, os visitantes conhecem a casa de máquinas, a sala de comando central, a galeria das unidades geradoras e o eixo da turbina. Todo o passeio tem a companhia de um guia que dá todas as explicações.
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Influência árabe
A Mesquita Omar Ibn Al-Khattab foi construída na década de 1980 e é aberta a visitações que duram em torno de 30 minutos. Além de conhecer a arquitetura e os arabescos no interior do templo, os visitantes são apresentados às crenças islâmicas. As mulheres devem vestir um véu, que é entregue no início do tour.
Em frente ao templo, na Kapadokya Store, é possível comprar vários itens de decoração e artesanato turcos, marroquinos, sírios e libaneses, além de doces variados e chás. Na mesma rua está a Albayan Doceria Árabe. Há mais de 25 anos é parada obrigatória para fãs de doces artesanais recheados de pistache, nozes e tâmaras. O restaurante serve os mais variados tipos de café, mas aproveite a oportunidade para pedir o tradicional árabe.
Marco das Três Fronteiras
Point perfeito para apreciar o pôr do sol no encontro dos rios Iguaçu e Paraná, o Marco das Três Fronteiras simboliza o encontro das três nações: Argentina, Brasil e Paraguai. Além de lojinhas e construções que remetem às Missões Jesuíticas, é possível ver apresentações de danças folclóricas homenageando os países. O restaurante Cabezade Vaca é a pedida para o jantar, com um cardápio que privilegia as carnes como as picanhas brasileiras, os contra-filés argentinos e as costelinhas de porco à moda paraguaia. A cerveja local Jaguaratê também é servida nesse restaurante.
Yup Star Foz
Bem perto dali, fica a única roda-gigante com vista para três países, a Yup Star, com impressionantes 88 metros de altura. As cabines são climatizadas e confortáveis para que os passageiros tenham momentos inesquecíveis apreciando a vista da tríplice fronteira. A volta completa dura 20 minutos e a recomendação é ir ao fim da tarde, para curtir o pôr do sol. Mas nada impede que você vá em outro horário, até mesmo à noite e com chuva, dependendo do seu espírito aventureiro, assim como eu fiz. Claro, munida de um bom copo de cerveja!
Onde comer em Foz do Iguaçu
Restaurante Porto Canoas
Uma boa dica é conhecer as cataratas pela manhã e depois almoçar no Porto Canoas, com vista para o rio Iguaçu. Aprecie um dos muitos drinques da carta – chegam à mesa bem decorados – ou um dos vinhos da adega abastecida com rótulos de várias vinícolas brasileiras. Para quem não abre mão de uma cerveja, vá de Jaguaretê, uma artesanal que só é encontrada no Porto Canoas ou no restaurante Cabeza de Vaca, no Marco das Três Fronteiras. Parte da renda obtida com as vendas é destina à conservação das onças do parque. A refeição é bufê self-service, com variedade de carnes como, por exemplo, picanha, frango e peixe, além de massas e saladas.
Restaurante Y
Uma celebração à brasilidade – desde o ambiente com trilha sonora brasileira de bom gosto – aos ingredientes que compõem drinques e pratos, o Y (a pronúncia é “i”) é o restaurante do Hotel Belmond, único no Parque Nacional do Iguaçu e com vista para as cataratas. Da cozinha do chef Luiz Filipe Souza – que também comanda o Evvai, em São Paulo – saem pratos cheios de personalidade. O jantar tem início com um drinque no bar– experimente o Aperol Spritz – e entradinhas. As demais etapas do jantar são acompanhadas de divertidos cartões postais apresentando cada um dos pratos. Impossível não se encantar com a simpática arte da deliciosa casquinha de siri. Todas as etapas do menu são surpreendentes! Destaque para o camarão carabineiro na brasa e moqueca e o pirarucu defumado com tapioca suflada e açaí-missô.
Texto e fotos por Renata Busch. Setembro de 2025.

