Poucos países reúnem tanta diversidade em um território tão compacto quanto a Costa Rica. Localizada na América Central, entre o Pacífico e o Caribe, ela é um destino que pode não estar no radar imediato dos brasileiros, mas merece toda a atenção, sobretudo para os turistas aventureiros. O país detém cerca de 6,5% da biodiversidade do planeta, mais de 25% de áreas protegidas, 30 parques nacionais, e uma política de sustentabilidade que a tornou referência mundial — desde energia limpa até o fato de viver sem exército desde 1948. Além disso, a Costa Rica é marcada pelo espírito “Pura Vida”, expressão que vai além de um slogan turístico: é uma filosofia de vida que transmite presença, gratidão e simplicidade, algo que senti em todos os lugares por onde passei. Para quem se pergunta o que fazer na Costa Rica, a resposta está justamente nessa combinação única: vulcões ativos, praias preservadas, florestas exuberantes e um estilo de vida acolhedor que transforma cada experiência em uma descoberta.
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Como chegar na Costa Rica
Para os viajantes que partem do Brasil, o caminho mais comum é voar até o Aeroporto Internacional Juan Santamaría (SJO), localizado a cerca de 20 km da capital. Desde 2023, a Gol oferece voo direto de São Paulo (Guarulhos) para San José, além das conexões tradicionais operadas por companhias como Copa Airlines e LATAM via Panamá, Bogotá ou Lima. Brasileiros não precisam de visto para curtas estadias, apenas passaporte válido. Mas é obrigatório apresentar o certificado internacional de vacinação contra febre amarela, exigido ainda no check-in no Brasil. Sem esse documento, o embarque não é permitido.
E quando ir à Costa Rica? O país tem duas estações bem definidas. A estação seca, de novembro a abril, é a mais indicada para quem busca sol, trilhas e praias — especialmente na costa do Pacífico. Já a chamada estação verde, de maio a outubro, traz chuvas mais frequentes, mas também revela a natureza em seu auge de exuberância, além de preços mais baixos e menos turistas.
San José: a porta de entrada da Costa Rica
A capital da Costa Rica, por onde chegam os voos internacionais, costuma ser mais uma cidade base ou de passagem. É um lugar estratégico para se aclimatar, descansar e mergulhar em uma dose de cultura local antes de seguir rumo às praias do Pacífico, ao Caribe ou aos parques nacionais. San José conta com mercados centrais, praças movimentadas e museus como, por exemplo, o do Ouro e o do Jade, além do belíssimo Teatro Nacional.
Para quem busca conforto e localização prática, uma boa dica de hospedagem é o histórico Hotel Presidente, no coração da Avenida Central. O edifício foi todo revitalizado e o hotel foi renovado recentemente, combinando design contemporâneo com toques urbanos, quartos modernos, e ainda um restaurante no rooftop, com ambiente descontraído, onde você pode experimentar a cena gastronômica local.
O que fazer na Costa Rica: Região Central e os vulcões
A Costa Rica abriga cinco vulcões ativos, e dois deles estão na região central, a cerca de 50 km da capital. O Vulcão Irazú é o mais alto do país, com 3.432 metros de altitude. Antigo — com mais de 600 mil anos — já perdeu sua forma cônica, mas impressiona pelo tamanho e pelos diferentes pontos de observação. Suas erupções estão documentadas desde 1723, sendo a mais impactante a de 1963, quando cinzas encobriram San José por quase dois anos. O Parque Nacional Irazú permite visitar os diferentes crateres e caminhar por trilhas que revelam a força da geologia costarriquenha.
Já o Vulcão Turrialba, conhecido como “irmão ativo do Irazú”, tem 3.340 metros de altitude e registra erupções recorrentes. Entre 2014 e 2016 viveu um ciclo intenso, mas hoje expulsa pequenas nuvens de fumaça quase diariamente. Seu parque nacional, com 16 km², é lar de mais de 80 espécies de aves e 11 de mamíferos, e foi reaberto em 2020 com regras rigorosas: visitas guiadas e reservas obrigatórias.
Hospedagem em Turrialba
Localizada no vale de Turrialba, a cerca de 1h45 de carro de San José, a Casa Turire é uma ótima dica de hospedagem na região, principalmente para quem quiser descansar nesta parte de viagem. Em uma fazenda, o hotel boutique fica em uma casa colonial, às margens do Lago Angostura e com as montanhas do vulcão Turrialba ao fundo. Jardins bem cuidados, piscina em meio às árvores, horta própria, aula de yoga, bicicletas e opção de passeio a cavalo são alguns dos destaques deste hotel em Turrialba. São cerca de 16 quartos, muitos com varanda e decoração clássicas mas que harmoniza com o entorno natural. Certamente um lugar perfeito para desacelerar após os passeios aos vulcões.
Café da Costa Rica: tradição sustentável
A Costa Rica transformou o café em símbolo nacional — com grãos 100% Arábica, produção consciente e fazendas que funcionam como verdadeiros refúgios sensoriais. O país é considerado um case mundial de produção sustentável e regenerativa, com projetos de carbono neutro, agrofloresta e certificações como Rainforest Alliance. Uma das experiências mais completas para conhecer esse universo é a Fazenda Aquiares, situada nas encostas do Vulcão Turrialba. Com 600 hectares de plantações de café à sombra e outros 200 hectares de mata protegida, ela abriga cerca de 130 espécies de aves e 70 espécies de árvores nativas. A fazenda alcançou neutralidade de carbono em 2016 e atualmente captura mais carbono do que emite.
A fazenda oferece diferentes passeios que vão desde tours de 2 horas até experiências de dia inteiro. Há ainda a opção de passeio a cavalo entre as plantações — que foi a que fizemos — combinando natureza, café e paisagens. Encerramos com uma degustação, provando diferentes variedades do café costarriquenho.
Turismo de Aventura na Costa Rica: adrenalina com alma
Se tem um lugar do mundo que conseguiu transformar o turismo de aventura em experiência segura e bem organizada, é a Costa Rica. O país é berço do canopy zipline — a tirolesa criada originalmente para observar a floresta de cima, que hoje é um clássico dos passeios de aventura. Fiz também canyoning, combinação de rapel em cachoeiras, trilhas por rios e contato direto com a selva. Tudo com guias experientes e protocolos de segurança. Mesmo sendo minha primeira vez em atividades como o rapel, me senti totalmente à vontade. A natureza exuberante ao redor torna a experiência ainda mais intensa.
Outro destaque foi o rafting no Rio Pacuare, considerado um dos melhores do mundo para a prática. O rio corta a Cordilheira de Talamanca e segue até o Caribe, atravessando florestas densas, quedas d’água e cânions dramáticos. Entre uma corredeira e outra, avistamos tucanos, macacos e até borboletas azul-morfo. Foram momentos em que me senti dentro de um filme, pequena diante da grandiosidade da natureza. Para quem busca uma imersão ainda maior, há tours de dois dias que incluem hospedagem em eco-lodges integrados à selva. Definitivamente um exemplo perfeito de por que a Costa Rica é referência mundial em viagens de aventura.
Fizemos todos esses passeios com a agência ExplorNatura, especializada em turismo de aventura na região. O serviço foi excelente: equipe experiente, sempre gentil e atenciosa, com foco total na segurança e no bem-estar dos viajantes.
Caribe Sur: praias e cultura afro-caribenha
No sul do país, Puerto Viejo de Talamanca mostra uma Costa Rica diferente: rústica, vibrante e marcada pela influência afrodescendente. As cores, os sabores e os sotaques criam uma atmosfera única, menos turística e mais autêntica. A gastronomia também muda: pratos com leite de coco, pimentas e peixes frescos refletem a herança cultural caribenha. Enquanto isso, as praias são um espetáculo à parte. Playa Negra, de areia escura e mar intenso, contrasta com a delicadeza de Punta Uva, famosa pelas águas calmas e azul-esverdeadas. Já Playa Chiquita é mais reservada, cercada por vegetação tropical que chega até a areia.
Fiz também uma aula de surfe na Playa Grande, lembrando que a Costa Rica é reconhecida internacionalmente pelas suas ondas — algumas, como a de Salsa Brava, em Puerto Viejo, são respeitadas até pelos surfistas de elite. Outro ponto de interesse é o Parque Nacional Cahuita, com trilhas que levam a recifes de corais, onde também é possível fazer snorkel. Não conseguimos fazer o passeio devido ao tempo, mas é uma recomendação importante para quem organiza um roteiro no Caribe Sur da Costa Rica.
Hospedagem recomendada: Le Cameleon
Para aproveitar Puerto Viejo com conforto e estilo, ficamos no Le Cameleon Boutique Hotel. É um hotel boutique próximo à Playa Cocles, com três piscinas externas, beach club, spa, academia, restaurante à beira mar, e estrutura que permite tanto relaxar quanto explorar a natureza. Os quartos têm decoração minimalista, muitos com vista para a floresta ou para o mar, suficiente para renovar o fôlego depois de dias repletos de atividades no Caribe.
A gastronomia na Costa Rica
A culinária costarriquenha é marcada por ingredientes frescos, tempero marcante e raízes que se entrelaçam: indígenas, espanholas e afro-caribenhas dão vida a um sabor acolhedor e autêntico. Em muitos momentos, aliás, ela lembra a nossa gastronomia. O Gallo Pinto é o protagonista do cardápio local. Essa mistura de arroz, feijão (preto ou vermelho, dependendo da região), Salsa Lizano e coentro está presente até no café da manhã, geralmente acompanhada de ovos, queijo frito, bananas ou tortillas. Já o Casado cumpre o papel do “PF” costarriquenho: arroz, feijão, uma proteína (frango, peixe ou carne), salada fresca e plátanos fritos. Simples, mas nutritivo e cheio de sabor.
Já os Patacones, fatias de banana-da-terra verde esmagadas e fritas, são presença constante como acompanhamento. Crocantes por fora e macios por dentro, costumam vir com guacamole ou feijão preto. De fato, a banana aparece em quase todas as refeições, criando um elo curioso com nossa própria cozinha tropical.
Já no litoral, o ceviche ganha versões variadas, sempre com respeito à diversidade de frutos do mar. No Caribe, por exemplo, o destaque é o Rondón, ensopado cremoso que mistura peixe, frutos do mar, leite de coco e raízes — prato que traduz a herança afro-caribenha da região. Portanto, com simplicidade e frescor, a gastronomia costarriquenha conquista pelo sabor que reflete a identidade do país.
Conclusão: viver a Pura Vida
Compacta, biodiversa e acolhedora, a Costa Rica é um destino de aventura que oferece muito mais do que se imagina. Seja nos vulcões da região central, nos cafezais que contam histórias de sustentabilidade, nas aventuras pelo Rio Pacuare ou nas praias caribenhas de Puerto Viejo, este pequeno país na América Central entrega experiências únicas e autênticas. Viver a Pura Vida é entender que a Costa Rica vai além de um destino turístico: é uma imersão em uma filosofia de vida que celebra presença, gratidão e simplicidade.
A jornalista viajou a convite do ICT (Instituto Costarricense de Turismo) e conectada com O Meu Chip.
Por Duda Vétere. Setembro de 2025.
Fotos: Duda Vétere, Re Monteiro e Divulgação

