Seul é uma daquelas cidades que desafiam definições fáceis. Ao mesmo tempo em que impressiona com seus shoppings futuristas e bairros recheados de grifes internacionais, a capital sul-coreana também preserva vilas centenárias, templos budistas e tradições que resistem ao tempo. Nesta minha recente visita à Coreia do Sul, mergulhei no que a cidade tem de mais autêntico — do design contemporâneo à espiritualidade serena. A seguir, compartilho um pouco dessa experiência fascinante do outro lado do mundo.
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Mobilidade em Seul: entre o trânsito caótico e a eficiência do metrô
Seul é organizada, limpa e segura de um jeito que impressiona. O trânsito pode ser desafiador em certos horários, mas o sistema de metrô compensa com folga. Seguro, pontual e muito bem sinalizado, é a melhor forma de circular pela cidade. Com o cartão T-Money, você acessa metrô, ônibus e táxis com praticidade e autonomia.
O que fazer em Seul: atrações e passeios
Myeong-dong: feira de rua, cosméticos e agito internacional
Myeong-dong é a área mais movimentada da cidade, onde turistas e locais se misturam entre dezenas de lojinhas, marcas internacionais e barracas de comida de rua. Diferente do que muitos pensam, não é apenas uma “rua de comércio popular”. Aqui, o agito vem das lojas de departamento luxuosas, do universo dos cosméticos coreanos e do mix entre tradição e inovação.
Bukchon Hanok Village: uma vila que atravessa dinastias
Em contraste com a vibração moderna, Bukchon Hanok Village guarda 600 anos de história. Suas casas tradicionais — os hanoks — datam da dinastia Joseon e hoje funcionam como centros culturais, casas de chá e até hospedagens. Almocei uma pizza em um dos hanoks e confesso: foi uma das refeições mais inesperadas da viagem. Caminhar por suas vielas silenciosas, com vista para as colinas e telhas de barro apoiadas em estrutura de madeira, é como entrar em outro tempo.
Vestida como uma coreana — e emocionada com o cenário
Uma das experiências mais simbólicas da viagem foi vestir o hanbok, traje tradicional coreano, e fazer fotos em um cenário que parecia saído de um filme histórico. Aluguei o look na loja Hanboknam, que oferece trajes tradicionais com detalhes refinados e atendimento cuidadoso. Com ajuda da guia brasileira em Seul, Roberta, escolhi um modelo elegante e segui para o Palácio Changdeokgung, Patrimônio Mundial da UNESCO, e um dos mais antigos e bem preservados da cidade. O contraste entre os telhados emoldurados, as cores dos trajes e o verde sereno do entorno criou um cenário quase cinematográfico.
N Seoul Tower: Seul do alto, com charme e romantismo
Localizada no topo do monte Namsan, a N Seoul Tower é um dos pontos mais icônicos da cidade. A subida até o topo já é uma experiência por si só, seja de teleférico ou por trilhas arborizadas. A vista 360º é especialmente impressionante no fim da tarde, quando Seul começa a se acender sob nossos olhos. Cafés, lojas e o famoso muro dos cadeados completam a experiência.
Caligrafia e gastronomia: aprendizados culturais com sabor
Participei de uma aula de caligrafia onde aprendi a escrever meu nome em coreano, guiada por um professor de literatura. No mesmo espaço, tive uma aula de culinária tradicional: preparar e degustar os pratos foi mais um jeito de me conectar com o cotidiano coreano. .A experiência aconteceu em uma casa tradicional charmosa e acolhedora, com jardim interno e atmosfera intimista — típica das hanoks usadas hoje como centros culturais. O equilíbrio entre estética e tradição estava em cada detalhe do ambiente.
Após a aula, seguimos para um restaurante típico para experimentar o famoso churrasco coreano. A experiência foi absolutamente deliciosa — grelhamos carnes diretamente na mesa, acompanhadas de uma profusão de banchans (acompanhamentos variados), arroz, sopas e legumes frescos. O mais inusitado? O garçom era um robô! Sim, a tecnologia também está presente nas refeições coreanas, tornando o momento divertido e surpreendente. Almoçar ali, com coreanos simpáticos e curiosos ao redor, foi uma verdadeira imersão cultural.
Jogyesa Temple: espiritualidade no coração da cidade
No coração pulsante de Seul, o Templo Jogyesa se destaca com suas lanternas coloridas e atmosfera serena. Principal templo do budismo zen coreano, ele é um símbolo vivo da espiritualidade local e um contraponto perfeito à agitação urbana ao redor. A poucos passos de avenidas movimentadas, o Jogyesa oferece uma pausa sensorial — e visual. O teto repleto de lanternas coloridas (e outras brancas, com mensagens de esperança) cria um efeito mágico, quase onírico.
O templo é um lembrete da diversidade religiosa da Coreia do Sul: embora boa parte da população seja secular, há influências fortes do budismo, cristianismo e confucionismo no dia a dia. Visitar o Jogyesa não é apenas admirar sua estética vibrante, mas também entender o papel da fé e da contemplação no coração de uma metrópole hiperconectada.
Arquitetura, limpeza e comportamento urbano
Além da eficiência, Seul impressiona pela segurança quase absoluta e pela arquitetura que mistura vanguarda e tradição. Câmeras por todos os lados e um clima de respeito silencioso moldam o dia a dia. Os jovens são estilosos, arrojados e ocupam os shoppings grandiosos com naturalidade. Um belo retrato da Coreia que olha para o futuro sem esquecer suas raízes.E se a arquitetura impressiona, o consumo também tem seu papel nesse cenário: as lojas de luxo em Seul são verdadeiros templos de design e desejo.
A flagship da Dior, por exemplo, chama atenção não apenas pelo acervo impecável, mas também pela fachada arquitetônica quase escultural. E não são apenas as grandes marcas que surpreendem. Entre as ruelas de bairros criativos como Sinsa e Hannam-dong, pequenas multimarcas, lojas-conceito e até papelarias autorais (como a charmosa Point of View) mostram que o bom gosto está em todos os detalhes do cotidiano coreano.
Bibliotecas como templos modernos do saber
Visitei duas unidades da icônica Starfield Library: uma dentro da cidade, já conhecida por seu pé-direito altíssimo e estantes monumentais; e outra fora de Seul, igualmente impressionante. Ambas são mais que bibliotecas — são símbolos de como os coreanos valorizam o conhecimento com sofisticação estética. A segunda visita foi ainda mais especial: estive também nas muralhas de Suwon, Patrimônio Mundial da UNESCO, que oferece uma vista panorâmica emocionante da região.
Museu Nacional da Coreia: arte, história e identidade
Para quem deseja entender a fundo a cultura do país, o Museu Nacional da Coreia é uma parada indispensável. Mesmo para quem já visitou museus semelhantes em outras partes da Ásia, a curadoria aqui se destaca pela maneira como conecta passado, presente e futuro da Coreia. Obras de arte, artefatos históricos, objetos do cotidiano e peças arqueológicas dividem espaço em um edifício moderno, bem sinalizado e cercado por jardins que merecem um passeio com calma. É um lugar que fala diretamente com o lado mais profundo da identidade coreana.
Samcheonggak: silêncio e tradição perto do poder
A poucos passos da residência oficial do presidente, esse pequeno resort nas montanhas é um verdadeiro refúgio. Sua arquitetura tradicional dialoga com a floresta ao redor, que segue praticamente intocada mesmo diante do crescimento urbano acelerado. Ideal para quem busca uma pausa contemplativa, com sabor local e serenidade absoluta. Durante minha visita, participei de uma cerimônia tradicional do chá — um ritual delicado e cheio de significado, que traduz muito da filosofia coreana de acolhimento, estética e presença. Ideal para quem busca uma pausa contemplativa, com sabor local e serenidade absoluta.
Seul: onde beleza e consumo se encontram
Paraíso dos cosméticos
A Coreia é um verdadeiro paraíso para quem ama produtos de beleza. Além das boutiques de luxo, as farmácias mais populares espalhadas por bairros como Myeong-dong — onde você encontra dezenas de opções lado a lado — oferecem um mundo de dermocosméticos e skincare a preços bem convidativos. Marcas como IOPE, Laneige, Nature Republic e muitas outras fazem parte do roteiro obrigatório de quem visita Seul com uma malinha extra só para levar cosméticos.
Beleza e bem-estar no estilo coreano
Fiz questão de experimentar um dos famosos rituais de beleza coreanos. No Juno Hair, vivi um spa capilar completo, com produtos exclusivos e atendimento personalizado. A vaidade coreana é levada a sério, e não apenas como questão de estética: é um estilo de vida.
Galleria: luxo coreano com sotaque internacional
Em meio à efervescente cena de consumo de Seul, o Galleria Department Store se destaca não apenas como centro de compras, mas como referência em arquitetura e curadoria de marcas de luxo. Sua fachada, composta por painéis de vidro ondulados, é um espetáculo visual à parte — especialmente ao, e West → fachada de vidro em mosaico, super icônica.entardecer, quando a luz natural interage com as formas refletidas. Além disso, são dois prédios lado a lado: à esquerda, com linhas mais sóbrias e elegantes, e a direita, com a fachada de vidro em mosaico, super icônica. É o tipo de lugar que faz você desacelerar, mesmo entre vitrines de marcas como Prada, Chanel e Bottega Veneta. Mais do que um shopping, o Galleria é um espaço onde moda, arte e lifestyle coexistem de maneira fluida. E se você estiver por ali, não deixe de explorar a K-Star Road, que começa logo ao lado.
K-Star Road: onde o K-pop encontra a arte urbana
Ao lado do Galleria, a K-Star Road presta homenagem às estrelas do K-pop com esculturas estilizadas e coloridas — os “GangnamDols”. Um passeio divertido, mesmo para quem não é expert em K-pop. Pena que (ainda) não cruzei com nenhuma celebridade para uma entrevista improvisada…
Onde ficar em Seul: conforto, design e sofisticação
Como especialista em hotelaria, sempre observo com atenção os elementos que realmente fazem a diferença em uma estadia. Me hospedei no Conrad um dos melhores hotéis de Seul, no centro financeiro. O Conrad Seul tem acesso direto a um mall sensacional, com estação de metrô integrada — o que facilita (e muito) a vida do hóspede. Mais do que um centro de compras, o Hyundai Mall é praticamente uma cidade subterrânea: espaçoso, elegante e multifuncional. Portanto, onde a arquitetura, o mix de lojas e a atmosfera urbana criam uma experiência de consumo elegante e prática ao mesmo tempo. Logo na entrada, o que salta aos olhos é o átrio iluminado por luz natural, com um jardim vertical que oxigena — literalmente — a experiência. E aqui vai um aviso: esqueça sua ideia de shopping center. Em Seul, eles fazem parte da cultura urbana de forma integrada. É onde você encontra de tudo, dos cosméticos aos pratos gourmet, dos eletrônicos aos itens de papelaria, sempre em ambientes tão agradáveis que nem parece que você está dentro de um centro comercial.
No Conrad Seoul, minha suíte reunia tudo o que se espera de um hotel cinco estrelas moderno — e mais um pouco. Espaçosa, funcional e silenciosa, com decoração contemporânea em tons neutros e iluminação suave, ela oferecia uma vista de cair o queixo para a cidade e o rio Han. A banheira com janela panorâmica foi um dos meus cantinhos favoritos.
O living integrado à área de trabalho, o closet amplo e o design inteligente mostravam como o luxo pode — e deve — ser também confortável. Dentro do próprio hotel, os restaurantes do Conrad Seul merecem destaque. Seja para um jantar elegante ou uma refeição mais casual, a curadoria é sofisticada e coerente com o padrão da rede.
Mais opções de hotéis em Seul
Conheci também o Four Seasons Seoul, com seu bar principal e o speak easy escondido nos fundos. Atmosfera quase cinematográfica, elegância por toda parte, digno do DNA Four Seasons. Este luxuoso hotel em Seul fica no bairro de Jongno-gu, no centro histórico e político de Seul. Ou seja ele está próximo ao Palácio Gyeongbokgung e à Blue House, residência presidencial. A localização é estratégica para quem quer explorar a herança cultural da cidade sem abrir mão do luxo urbano. O hotel traduz com maestria o equilíbrio entre tradição e sofisticação, com um serviço irrepreensível.
Enquanto isso, o Fairmont Ambassador, vizinho ao Conrad, impressiona pela grandiosidade arquitetônica, lobby impactante e localização privilegiada. Todos oferecem uma leitura sofisticada de Seul.
Outra opção que merece destaque é o Mondrian Seoul Itaewon, um hotel moderno, de bom gosto e com atmosfera cosmopolita. A decoração ousada e contemporânea atrai tanto viajantes criativos quanto amantes do design. Uma excelente escolha para quem busca estilo sem abrir mão do conforto, localizado no vibrante bairro de Itaewon, conhecido por sua cena multicultural, vida noturna sofisticada e lojas conceito.
Onde comer em Seul: experiências comedidas e autênticas
A cena gastronômica em Seul é diversa, mas é importante ajustar as expectativas. Comer fora na Coreia tem outro ritmo, outro foco. Às vezes, menos sobre a ocasião e mais sobre o alimento em si. Dito isso, algumas experiências se destacaram: o elegante Café Madang, dentro da loja da Hermes, no bairro Gangnam-gu; o refinado Shuchiku, de gastronomia japonesa impecável; e os excelentes restaurantes dentro do Conrad Seoul, que unem ambiente sofisticado e sabores bem executados.
Enquanto isso, o restaurante de alta gastronomia Zero Complex, onde jantamos em clima autoral e despretensioso, apresenta uma gastronomia técnica refinada com ingredientes locais, num ambiente minimalista, de serviço preciso e atmosfera acolhedora.
Um bar, meu signo e uma dose de misticismo
E quando achei que já tinha visto de tudo em Seul… fui parar num speakeasy temático de signos! O Zoo Sindang é o tipo de lugar que você jamais encontra por acaso — a entrada parece uma cena de filme de terror com direito a esteiras rasgadas, velas e um altar esquisitíssimo. Mas é só atravessar a porta que o cenário muda completamente: luz baixa, decoração sensorial e uma carta de drinks guiada pelo zodíaco chinês. Pedi o “coquetel do meu signo” (porque é claro que eu não ia perder essa!) e fui surpreendida com uma mistura inusitada de sabores — e uma dose generosa de diversão. Um programa ótimo para sair do roteiro óbvio e brindar ao próprio destino.
Roberta, da Planet Korea: a guia que transformou a viagem
Uma das decisões mais acertadas da minha viagem foi contratar a Roberta, da Planet Korea Travel, como guia brasileira em Seul. Não se trata apenas de alguém que nos acompanha — ela foi essencial para dar sentido aos lugares, conectar história, tradição e curiosidade de um jeito que só quem viveu consegue transmitir. Através dela eu aprendi pequenas nuances: onde alugar hanbok com respeito, por que certas portas dos templos são pintadas assim, colher dicas reais de horários para evitar multidões, entender o que cada sala do palácio significa, além de situações práticas — transporte mínimo, etiquetas culturais, os “truques invisíveis” que mudam uma visita de boa para inesquecível.
Roberta agregou valor às minhas fotografias, aos passeios que de outro modo teriam sido puramente visuais, e ao conforto de circulação pela cidade. Ter ela comigo foi uma espécie de tradução cultural: me ajudou a ouvir ruídos da cidade que normalmente passariam despercebidos, e a me sentir segura ao explorar cantos menos turísticos. Posso dizer sem hesitar que essa viagem com ela foi muito mais rica do que eu imaginava.
Seul é uma cidade que oferece experiências que vão muito além do clichê asiático. Com tradição preservada, arquitetura arrojada, segurança, tecnologia e um povo que valoriza tanto a estética quanto o conhecimento, a capital da Coreia do Sul me conquistou em muitos aspectos.
Por Renata Araújo. Setembro de 2025.
Fotos: Renata Araújo e Divulgação

