Exposições em cartaz em Paris

Por Bárbara Ariston 

Caminhar pelas ruas de Paris é como fazer um passeio por um museu a céu aberto: são inúmeros monumentos, obras de arte e ícones da arquitetura. Mas para os apreciadores das artes, a cidade-luz reserva atrações especialíssimas dos mais variados estilos em mais de 200 museus e galerias, com suas coleções permanentes e exposições temporárias da maior qualidade.

Na última semana de maio, tive a sorte de poder visitar uma seleção de mostras fantásticas em cartaz na cidade. O primeiro museu da minha programação foi o Grand Palais, que por si só já é uma atração incrível. O espaço foi erguido em 1900 e abrange diversos espaços culturais. No dia da minha visita, pude escolher entre uma exposição do grande artista brasileiro Candido Portinari, outra do fantástico fotógrafo Robert Mapplethorpe, entre outras. Mas como o tempo era curto e as filas imensas, optei por essas duas, com as quais me identificava mais.

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A sala dedicada ao mestre Portinari era impressionante. A exposição abrigava os paineis Guerra e Paz, presentes do governo brasileiro para a sede da ONU, em Nova York, em 1956. Durante quatro anos, Portinari trabalhou na produção de quase 200 estudos e maquetes e depois, em mais 9 meses, pintou dois monumentais paineis de 14 metros de altura e uma superfície total de 280 metros quadrados. A montagem é belíssima e só fica em cartaz até 9 de junho.

A exposição do fotógrafo Robert Mapplethorpe, um dos grandes nomes da fotografia de arte, fica mais tempo, até o dia 13 de julho. Apesar de ser mais conhecido por seu trabalho com nus, a exposição apresenta toda a dimensão da obra do artista e sua busca pela perfeição estética através de mais de 200 fotografias, produzidas desde o início da década de 70 até a sua morte prematura em 1989. Também estava em cartaz, e continua até 22 de junho, a sexta edição do Monumenta, com a instalação de 2.500 metros quadrados batizada de “Estranha Cidade”, dos artistas russos Ilya e Emilia Kabakovque.

No dia seguinte, passei pelo Institut du Monde Arabe, que fica num edifício projetado por Jean Nouvel, com sua impressionante fachada de paineis fotossensíveis, que abrem e fecham como diafragmas conforme a intensidade da luz solar. Depois visitei o Musée Rodin, um dos meus favoritos, com seus lindos jardins e as maravilhosas esculturas de Auguste Rodin. Coincidentemente, além da mostra permanente, o museu abrigava uma mostra interessantíssima traçando um paralelo entre o trabalho do artista e o de Mapplethorpe, mesmo fotógrafo em exposição no Grand Palais.

A mostra que eu estava mais ansiosa para conferir era a do grande Henri Cartier Bresson, um dos principais expoentes da fotografia francesa e mundial, no Centre Pompidou. Mas fui meio amadora e fiz a besteira de seguir para lá num domingo chuvoso. Quase caí pra trás quando vi a fila quilométrica na porta do centro cultural. E o pior, a fila não andava.

Neste momento me arrependi de não ter comprado o Museum Pass, como já havia feito em outras viagens a Paris. (Aliás, essa é uma dica preciosíssima: compre o passe com antecedência na internet ou assim que chegar na cidade, nos postos da Paris Convention & Visitors Bureau ou em qualquer loja Fnac. A maior vantagem é o fato de poder furar as filas). Não tive coragem de enfrentar aquelas prováveis horas de espera e fui embora. Resolvi então experimentar uma estratégia diferente. Entrei nos sites dos museus que ainda pretendia ir e comprei os ingressos individualmente.

No dia seguinte, voltei ao Pompidou, que diferentemente de outros museus, abre às segundas-feiras e fecha às terças. Fiquei satisfeita de não precisar encarar a fila para a compra do ingresso, mas ao chegar à sala reservada para a mostra do Bresson, a surpresa: outra fila. Mas desta vez encarei, afinal não teria outra oportunidade. E valeu cada minuto dos 90 gastos ali. Com mais de 350 fotos, a retrospectiva apresenta a potência e a diversidade de suas imagens. Imperdível! Só até 9 de junho. Depois disso, em novembro, o Pompidou organiza a primeira retrospectiva na Europa de Jeff Koons, um dos mais famosos e controversos artistas contemporâneos.

Finalmente, reservei uma tarde para voltar ao Musée d’Orsay. Amo este lugar, a antiga estação de trem Gare d’Orsay, um exemplo da art nouveau e, desde 1986, lar de coleções impressionistas e pós-impressionistas de artistas franceses e mundiais. Naquele dia, meu maior objetivo era checar a exposição Van Gogh/Artaud. A exposição, em cartaz até 6 de julho, é baseada no trabalho do escritor Antonin Artaud sobre o gênio holandês. São mais de 30 quadros de Vincent Van Gogh, além de desenhos e cartas do mestre ao seu irmão.


Enfim, seja qual for o período da estada em Paris, vale a pena dar uma olhada nos guias de programação da semana, como o Pariscope, à venda em bancas de jornal, para não deixar passar mostras maravilhosas como estas. E, obviamente, aproveite para ver ou rever as lindas coleções destes e outros museus e galerias, como o Louvre, o Quai Branly, o Picasso, o Palais de Tokyo, a Maison Euopéenne de la Photographie, a Pinacothèque, o Carnavalet, o Musée de l’Orangerie, o Jeu de Paume…


Fotos: Bárbara Ariston 


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