Por Valeria Veríssimo

São Petersburgo é uma bela cidade cortada por canais e largas avenidas. Repleta de palácios, monumentos, igrejas e catedrais, seu centro histórico foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Fundada pelo Imperador Pedro, o Grande, em 1703, São Petersburgo foi chamada de Petrogrado e Leningrado no período comunista, e foi capital russa até 1918.

São Petersburgo

Projeto de arquitetos e artistas europeus convidados pelos czares, a arquitetura da cidade tem influência italiana, francesa e holandesa.  O Palácio Peterhof, com exuberantes fontes e jardins, chamado de Versalhes Russa, e a Catedral de Nossa Senhora de Kazan, que lembra a Basílica de São Pedro, em Roma, são exemplos dessa influência. Mas há singularidades, como o estilo renascentista russo da Catedral do Sangue Derramado, por dentro e por fora. Fotogênica, é um dos pontos mais fotografados da cidade.

Peterhof, São Petersburgo

É possível visitar São Petersburgo sem guia? Sim! Há mais informações em inglês que em Moscou, por exemplo. Mas ter os tíquetes comprados agiliza muito, evita filas e perda de tempo, e é fundamental nos museus e pontos turísticos, pois geralmente não há legendas, mapas e folders com a história dos palácios e acervos em outro idioma além do russo. Alguns museus disponibilizam informações em seus sites em inglês. Mas tem que pesquisar antes das visitas, por isso preferimos a comodidade de uma guia dando as informações em português.

São Petersburgo, Rússia

Nos restaurantes e cafés, há cardápios em inglês e boa parte dos atendentes fala o idioma, mas nas perfumarias, farmácias e mercadinhos, é duro, porém acaba sendo divertido. Distraída, comprei um spray de espuma de barbear para meu marido pensando tratar-se de um desodorante!

São Petersburgo, Rússia

Foram cinco dias em São Petersburgo – outros cinco em Moscou. Foi de bom tamanho, mas exigiu uma seleção do que seria possível ver no período e o que deixaríamos para novas oportunidades. Nosso hotel, Angleterre, era um quatro estrelas com café da manhã nota mil, bem localizado, ao lado do mais estrelado Astoria, numa praça onde ficam a embaixada Alemã, a Prefeitura e a Catedral de Santo Isaac. Vale subir até o alto da torre e ter uma vista panorâmica da cidade.

Catedral de Santo Isaac, São Petersburgo

Como chegamos à cidade no fim da tarde, o primeiro programa foi uma voltinha pelos arredores, seguida de jantar no Idiot. Batizado com o nome de um clássico de Dostoiévsky, a decoração com móveis e objetos antigos insinua a atmosfera de São Petersburgo no fim do século XIX. Comida saborosa, preço honesto e o melhor: o início da série de degustações de shots de vodcas. Para comer, fomos no óbvio: sopa de berterraba (borsh), estrogonofe, torta de batatas, cogumelos siberianos com sour cream e honey cake de sobremesa.

São Petersburgo

Já que o assunto é comida, vamos logo aos restaurantes e cafés. A pé, da Praça de Santo Isaac, outros três restaurantes que experimentamos e recomendo. O 1913 – que fica num hotel do mesmo nome – é mais bacaninha que o primeiro, mas nada extraordinário. Fomos de vodka, caviar e espumante. Na sequência, pratos saborosos e bem apresentados e sobremesas também.

1913, São Petersburgo

Gostei do Café Felicidade no próprio Angleterre, pelo nome e pelo ambiente. Com decoração divertida, tinha movimento até bem tarde e opções de refeições ligeiras – saladas, sanduíches, sopas e outras opções mais substanciosas. Lá experimentei um frango com batatas, cebolas caramelizadas e ovos pochê de sabor inesquecível! Ingredientes simples, mas os temperos e o preparo fizeram a alquimia.

Angleterre, São Petersburgo

Do outro lado da praça, na lateral do prédio da Embaixada Alemã, estava o Teplo, restaurante descolado com cozinha primorosa, no qual fomos duas vezes. Fica meio escondido, com mesas do lado externo e, na parte interna, vários ambientes, decorados como uma casa. Há brinquedos e espaço reservado a crianças e os pratos são gostosos, o preço bom e o cardápio lindo. Garçonetes e garçons eficientes, simpáticos e bem humorados.

São Petersburgo

Já a algumas quadras do hotel, vale almoço ou um drink na Terrassa, que fica no topo de um prédio comercial com outros restaurantes. Fica ao lado da Catedral de Kazan – e propicia uma bela vista. Perto dali, na Nevsky, avenida mais animada de São Petersburgo, fica o Café Singer, no último andar de uma livraria, num prédio envidraçado que foi a filial russa do famoso fabricante de máquinas de costura. Parada perfeita para descansar e restaurar as forças, com sorvetes, tortas de chocolate das mais convidativas, strudel de cereja e chocolate quente com marshmallow.

Terrassa

Comemos também em lugares bem turísticos da Nevsky. Em almoços ligeiros, o que valia e interessava era acompanhar a atmosfera, o vai-vem de personagens na avenida – os locais e os turistas. Pulamos alternativas mais sofisticadas como o restaurante do classudo Hotel Europa, embora a degustação de caviar de lá seja recomendada.

Hotel Europa, São Petersburgo

Agora vamos às atrações históricas e culturais! Em nosso primeiro dia com a guia, a agenda foi extensa, otimizada por uma van. Foi um sobe e desce do carro, mas valeu a pena: economizamos pernas para os dias seguintes. O roteiro incluiu Avenida Nevsky, Praça Santo Isaac (que já havíamos explorado por nossa conta na véspera), Teatro Mariinsky (antigo Kírov da época soviética), Praça do Palácio (em frente ao Hermitage, onde aconteceu o Domingo Sangrento) e Ponta do Basílio, de onde se tem bela vista do Rio Neva. Vimos também o cruzador Aurora, que sinalizou a tomada do governo pelos bolcheviques em 1917, e agora é um museu.

Cruzador Aurora, São Petersburgo

E dá-lhe História! Passamos pelo Convento Smolny, primeira instituição educacional para mulheres na Rússia, sede do Partido Bolchevique durante a Revolução de Outubro de 1917 e residência de Lenin até o governo nacional se mudar para o Kremlin de Moscou.

São Petersburgo

O tour prosseguiu com visitas à necrópole dos Mestres das Artes no Cemitério Tíkhvin (território do Mosteiro de Santo Alexandre Nevsky e onde estão enterrados Dostoyevsky e outros mestres), à Catedral Marinha de São Nicolau, à Grande Sinagoga Coral (maior da Rússia e segunda da Europa, e que passou por restauração recente, contando com recursos de doação de Edmond Safra, filantropo naturalizado brasileiro) e à Fortaleza de São Pedro e São Paulo, local de fundação da cidade, e que guarda em sua catedral barroca os túmulos dos Romanov, dinastia que governou a Rússia de 1613 a 1917.

Grande Sinagoga Coral, São Petersburgo

A manhã seguinte começou com visita ao Museu Hermitage, realmente um espetáculo. São mais de 400 salas e três milhões de obras de arte, uma das maiores coleções do mundo. O museu ocupa quatro palácios contíguos, sendo o maior deles o Palácio de Inverno, residência oficial dos czares até a queda da monarquia em 1917. Nossa visita durou cerca de três horas porque a guia nos levou direto aos pontos altos, destaques da coleção, mas há bilhetes para dois dias, para os que desejam ver tudo detalhadamente. O passeio incluiu uma das câmaras dos tesouros do Hermitage, onde se encontra o Ouro dos Citas, mostra permanente de objetos gregos e citas do século VII ao século II a.C., fabulosamente trabalhados em ouro e prata, encontrados na Ucrânia e no Cáucaso.

Hermitage, São Petersburgo

No terceiro dia, visitamos o Palácio Yusupov, o mais suntuoso palácio privado da cidade, pertencente aos nobres russos amantes das artes.  Nossa guia criou um clima de suspense, até nos levar à sala onde Rasputin (1869-1916) foi envenenado e onde há esculturas de cera dele e dos demais envolvidos no episódio. O que mais me encantou no palácio foi o Teatro do Ouro, pequeno teatro com cerca de 100 lugares ricamente decorado – parece uma miniatura do Teatro Municipal carioca. Na sequência, revisitamos a Catedral de Santo Isaac, maior e mais ricamente decorada do local. A enorme cúpula da catedral pode ser vista de vários pontos da cidade e foram necessários 100 quilos de lâminas de ouro para cobri-la.

Palácio Yusupov, São Petersburgo

O quarto dia, um sábado, foi reservado à atração afastada, o Peterhof, a 29 km de São Petersburgo. Na verdade, trata-se de um conjunto de palácios, fontes e jardins. O passeio a pé pelo parque inferior explica porque o conjunto ganhou o apelido de Versalhes Russa, por seus jardins magníficos com esculturas e fontes exuberantes, e que terminam no mar báltico, onde podemos avistar a Finlândia.

Peterhof, São Petersburgo

Fechamos nossa programação com o “Cristo Redentor” de São Pertersburgo, o Templo da Ressurreição de Cristo, conhecido como Igreja do Sangue Derramado. Construído no lugar exato onde o czar Alexandre II foi assassinado em 1881, hoje é um verdadeiro museu de ícones e mosaicos russo.

Templo da Ressurreição de Cristo, São Petersburgo

Nossa visita também teve um agradável passeio de barco, um espetáculo de dança folclórica russa e uma montagem de O lago do cisne, no teatro do Palácio Hermitage. Pegamos o Teatro Mariinsky fora da temporada de espetáculos, o que foi uma pena. No intervalo do balé, vimos um por do sol maravilhoso do segundo andar do palácio e uma queima de fogos na saída.

São Petersburgo, Rússia

Em nosso último dia na cidade, ainda demos uma voltinha antes de pegar o trem para Moscou. Cinco dias foram bastante, mas faltou visitar o Palácio da Catarina II, conhecer o metrô – parece que é um dos mais profundos do mundo –, assistir a um espetáculo no Mariinsky… Bons pretextos para voltar!

Fotos: Valeria Veríssimo

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